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Bombardeio contra Kiev mata 18 pessoas antes da reunião de cúpula da Otan
A Rússia lançou mísseis e drones nesta segunda-feira (6) contra prédios residenciais em Kiev e sua região pela segunda vez em uma semana, uma ofensiva que deixou pelo menos 18 mortos um dia antes do início de uma reunião de cúpula crucial da Otan.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, fez um apelo aos países aliados a adotarem "decisões firmes" para aumentar o fornecimento de sistemas de defesa aérea à Ucrânia após o ataque, que aconteceu poucos dias após outro bombardeio russo matar mais de 30 pessoas em Kiev.
O ataque desta segunda-feira abriu uma cratera em um bloco de apartamentos de vários andares na capital ucraniana, destruindo os andares superiores. Durante a noite, jornalistas da AFP em Kiev ouviram mais de 10 explosões durante um alerta de mísseis balísticos.
Uma explosão atingiu o prédio onde mora Anna Misko, de 36 anos, no bairro de Pozniaki, zona leste da capital. "Tenho um filho e sempre descemos para o térreo", afirmou à AFP. Desta vez, ela disse que sobreviveu "por milagre", já que os primeiros andares do seu prédio foram destruídos.
Este foi o segundo ataque consecutivo em que a Rússia utilizou mísseis balísticos difíceis de interceptar, o que levou Zelensky a pedir novamente aos aliados mais mísseis para os sistemas de defesa aérea Patriot, de fabricação americana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Zelensky devem conversar sobre a guerra iniciada em 2022, à margem da cúpula da Otan que começa na terça-feira em Ancara (Turquia).
"É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida", declarou Zelensky nas redes sociais.
Os ataques noturnos deixaram ao menos 13 mortos em Kiev e cinco na região da capital, além de dezenas de feridos, segundo as autoridades. O balanço oficial também cita quase 30 edifícios residenciais danificados na capital. A Rússia lançou 68 mísseis e 351 drones, de acordo com a Força Aérea ucraniana.
- Um ataque contundente -
Os habitantes do distrito de Podilski, zona norte da capital, viveram momentos de angústia.
"Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes", contou à AFP Oleksandr Bakhlukov, que mora em um prédio próximo. "Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento", acrescentou o homem de 68 anos.
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou um "ataque em larga escala" com mísseis e drones contra o que descreveu como "empresas do complexo militar-industrial" e contra instalações de energia em várias regiões ucranianas.
Zelensky disse que o Exército ucraniano derrubou os drones e mísseis de cruzeiro russos, mas que dispõe de "um fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores" para deter os mísseis balísticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ataque demonstra que a Ucrânia precisa "com urgência" de mais defesa aérea e que a questão será abordada na reunião da Otan.
O Exército russo afirmou que suas forças também derrubaram mais de 500 drones ucranianos durante a noite.
- Apagão na Crimeia -
Na Crimeia, o governador da península designado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, anunciou no Telegram que, "após um ataque inimigo contra a infraestrutura de energia perto de Sebastopol", a cidade ficou sem eletricidade.
O presidente Trump deve se encontrar com Zelensky na terça-feira em Ancara. "Obviamente vai se reunir com ele para conversar sobre como acabar com a guerra", declarou um funcionário de alto escalão do governo americano que pediu anonimato.
Trump também tem em sua agenda uma conversa com o presidente russo, Vladimir Putin, para tentar reativar os esforços de paz na Ucrânia.
A Rússia lança com frequência ondas de mísseis e drones contra as cidades ucranianas desde o início da invasão do país vizinho, em fevereiro de 2022.
O conflito entre Ucrânia e Rússia é o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
W.Stewart--AT