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Hamas dissolve seu órgão de governo em Gaza
O movimento islamista palestino Hamas anunciou, nesta segunda-feira (6), que dissolveu o órgão que governou a Faixa de Gaza durante quase duas décadas, abrindo caminho para que um comitê de tecnocratas administre o território.
O chefe do comitê de emergência governamental, Mohammed al-Farr, "apresentou oficialmente sua renúncia", disse à AFP Ismail al-Thawabta, chefe do gabinete de imprensa do governo do Hamas.
Ele também "decidiu dissolver o comitê para facilitar a transição administrativa e governamental para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês)", acrescentou.
O NCAG foi criado pelo Conselho de Paz estabelecido pelo presidente americano, Donald Trump, durante as negociações que resultaram em um cessar-fogo entre o Hamas e Israel em outubro de 2025.
A iniciativa representa uma mudança política significativa para o movimento islamista palestino, que assumiu o poder em 2007 após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediada em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
Alguns meses depois do início da guerra entre Israel e Hamas, desencadeada por um ataque sangrento em território israelense em 7 de outubro de 2023, o movimento islamista afirmou estar disposto a ceder o poder na Faixa de Gaza a outra liderança palestina.
Desde então, diversos cenários foram mencionados, mas a situação permanece estagnada. Um dos principais pontos de atrito é o desarmamento do Hamas, que só considera essa possibilidade no âmbito de uma iniciativa política palestina. Israel se opõe.
"O Hamas dá um novo passo ao renunciar à administração da Faixa de Gaza para privar a ocupação de qualquer pretexto para continuar sua agressão e sua guerra de extermínio", declarou à AFP o porta-voz do movimento, Hazem Qassem.
Um funcionário do alto escalão do Hamas, que pediu anonimato, disse à AFP que o movimento informou às outras facções palestinas sobre sua decisão durante uma recente reunião no Cairo e, segundo ele, todas a aprovaram.
O NCAG, com base no Cairo há vários meses, "está totalmente preparado para assumir suas responsabilidades nacionais assim que estejam disponíveis os recursos e capacidades necessários", escreveu no X seu presidente, Ali Shaath.
- Uma decisão "simbólica" -
O cientista político Mkhaimar Abusada explicou à AFP que se trata, antes de tudo, de uma decisão "simbólica".
"O problema não é a dissolução do seu comitê governamental, e sim a aceitação de seu desarmamento (...) continua sendo o principal ponto de bloqueio", acrescentou.
A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em troca de palestinos presos por Israel.
A passagem para a segunda fase, que deveria prever o desarmamento do Hamas e uma retirada progressiva das forças israelenses de Gaza, está há meses estagnada, e Israel reforçou sua presença no território.
Israel descarta o retorno do Hamas ao poder, mas também se opõe, por enquanto, a que a Autoridade Palestina assuma o controle. Hamas e Israel se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo.
Pelo menos 1.072 palestinos morreram na Faixa de Gaza desde a entrada em vigor da trégua, segundo o Ministério da Saúde do território, sob autoridade do Hamas, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
O exército israelense registra seis baixas em Gaza no mesmo período: cinco soldados e um terceirizado.
A.Ruiz--AT