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Terminam eleições locais britânicas que colocaram governo trabalhista à prova
As urnas fecharam no Reino Unido no fim da noite desta quinta-feira (7), após eleições locais consideradas um teste para o governo trabalhista de Keir Starmer, com as pesquisas desfavoráveis, e que poderiam impulsionar os Verdes e os anti-imigração do Reform UK.
Os centros de votação fecharam as portas na Inglaterra, Escócia e País de Gales às 22h locais (18h de Brasília), enquanto Starmer enfrenta, quase na metade de seu mandato, seu maior teste desde a vitória esmagadora obtida nas eleições gerais de julho de 2024 sobre os conservadores.
As pesquisas de opinião preveem resultados sombrios para o Partido Trabalhista (centro-esquerda), o que poderia ampliar os apelos para que o líder britânico de 63 anos renuncie ou enfrente um desafio pela liderança.
Nessas eleições, mais de 5 mil cargos locais estavam em disputa na Inglaterra, de um total de 16 mil, além dos deputados dos parlamentos galês e escocês.
Não houve votação para as prefeituras de cidades como Londres, embora tenha havido eleições para os conselhos municipais de 32 de seus distritos. A eleição para prefeito da capital está prevista para 2028.
Também não serão eleitos os principais responsáveis por cidades como Liverpool ou Newcastle, nem houve votações em Manchester ou Birmingham, mas sim em suas áreas metropolitanas (Greater Manchester e West Midlands, respectivamente).
O governista Partido Trabalhista enfrenta dificuldades para concretizar suas promessas de crescimento econômico, em um momento em que o conflito no Oriente Médio agrava a crise.
A impopularidade de Starmer aumentou nos últimos meses após nomear embaixador em Washington Peter Mandelson, apesar de seus vínculos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
"Tudo dependerá da magnitude da derrota. Se o resultado for percebido como catastrófico, isso pode acelerar os planos de algumas figuras dentro do Partido Trabalhista que já há algum tempo pensam em impulsionar uma mudança de liderança", explicou à AFP o argentino Ezequiel González Ocantos, professor de Política na Universidade de Oxford.
Espera-se que o partido anti-imigração Reform UK, de Nigel Farage, e os Verdes de esquerda, liderados pelo autodenominado ecopopulista Zack Polanski, se beneficiem da desilusão generalizada.
Os primeiros resultados, das disputas na Inglaterra, serão conhecidos na madrugada de sexta-feira, mas a maioria só será divulgada mais tarde ao longo do dia.
- "Crescente fragmentação" -
Starmer votou junto com sua esposa pela manhã em uma igreja no bairro londrino de Westminster, sem dar declarações, mas horas antes havia defendido a opção trabalhista "diante da raiva e da divisão oferecidas pelo Reform UK ou das promessas vazias dos Verdes".
Farage votou em Clacton-on-Sea e incentivou os britânicos a votarem em seu partido.
O Reform UK, partido de extrema direita, e os Verdes, com um programa claramente orientado à esquerda, apareciam como alternativa às duas forças políticas históricas, trabalhistas e conservadores, que chegaram desgastadas ao pleito eleitoral.
Segundo uma pesquisa da YouGov realizada no início de maio, o Reform UK teria 25% das intenções de voto, seguido pelo Partido Trabalhista (18%), pelo Conservador (17%), pelo Verde (15%) e pelo Liberal Democrata (14%).
Nas eleições gerais de julho de 2024, que levaram Starmer ao poder, o Partido Trabalhista venceu com 33,7% dos votos, seguido pelo Conservador (23,7%), pelo Reform UK (14,3%), pelo Liberal Democrata (12,2%) e pelo Verde (6,4%).
"Esta eleição consolidará a posição do Reform UK como a força dominante atual na política britânica", declarou à AFP o porta-voz para assuntos internos do partido, Zia Yusuf, em uma festa para acompanhar a noite eleitoral cheia de otimismo.
As pesquisas também sugerem que o Partido Trabalhista perderá o controle do governo autônomo no País de Gales, pela primeira vez desde que o parlamento próprio foi criado há 27 anos.
Os levantamentos apontam o partido independentista Plaid Cymru como vencedor, à frente do Reform UK e dos trabalhistas.
E, na Escócia, uma pesquisa recente da YouGov sobre as eleições autonômicas desta quinta-feira indica que o Partido Nacional Escocês (SNP) seguiria como principal força, com 62 cadeiras.
O Reform UK apareceria em segundo lugar, superando trabalhistas, Verdes e conservadores.
J.Gomez--AT