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Rússia ataca Ucrânia durante cessar-fogo decretado por Kiev
A Ucrânia acusou a Rússia de um novo ataque nesta quarta-feira (6), um dia após bombardeios russos que deixaram pelo menos 28 mortos e da entrada em vigor, à meia-noite, de um cessar-fogo que Kiev havia anunciado de forma unilateral.
As sirenes de alerta foram acionadas em várias regiões da Ucrânia. As autoridades de Zaporizhzhia relataram um ataque durante a manhã contra uma instalação industrial.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, anunciou na segunda-feira a trégua de duração indeterminada em resposta a outro cessar-fogo que seu homólogo russo, Vladimir Putin, havia anunciado para permitir as celebrações da vitória contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, em 9 de maio. Moscou não respondeu nem aceitou a trégua proposta por Kiev.
O chefe de Estado ucraniano, que pede com insistência um cessar-fogo prolongado, ressaltou, no entanto, que Kiev responderia "de maneira recíproca" a qualquer violação de sua trégua.
A Rússia lançou "108 drones e três mísseis", segundo o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga.
"Isto demonstra que a Rússia rejeita a paz e que seus falsos apelos para um cessar-fogo em 9 de maio não têm nada a ver com a diplomacia. Para Putin, só importam os desfiles militares, não as vidas humanas", escreveu o ministro na rede social X.
A terça-feira (5) foi um dia particularmente violento no conflito no coração da Europa, com 28 pessoas mortas na Ucrânia, segundo um balanço atualizado nesta quarta-feira.
"Precisamos que estes ataques cessem e todos os demais do mesmo tipo todos os dias, e não apenas durante algumas horas em algum lugar, em nome das 'celebrações'", afirmou Zelensky.
Os ataques russos de terça-feira mataram 12 pessoas em Zaporizhzhia, seis em Kramatorsk, quatro em Dnipro, quatro em Poltava, uma em Kharkiv e uma em Nikopol.
Além disso, um ataque ucraniano com drones contra a Crimeia ocupada deixou cinco mortos na noite de terça-feira na localidade de Dzhankoi, segundo as autoridades russas.
- Manobra tática -
A Ucrânia pede há muito tempo uma trégua prolongada no front para facilitar as negociações e chegar a um acordo que ponha fim à guerra, desencadeada pela invasão russa em larga escala em fevereiro de 2022, o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
A guerra na Ucrânia, no entanto, foi ofuscada pela agenda dos Estados Unidos no conflito do Oriente Médio, o que dificultou a perspectiva de negociações de paz.
Segundo o analista político ucraniano Volodimir Fessenko, o anúncio de uma trégua por parte de Kiev é uma manobra tática nos âmbitos "informacional e político".
"Se a Rússia não respeitar o nosso cessar-fogo, temos o direito de não respeitar o deles. Isso anula a iniciativa de Putin", declarou Fesenko à AFP. Segundo ele, é "quase certo" que nenhuma suspensão das hostilidades seja plenamente respeitada.
Um cessar-fogo de 32 horas em abril, por ocasião da Páscoa ortodoxa, foi violado repetidamente, embora tenha sido respeitada uma interrupção nos ataques aéreos de longo alcance.
Moscou rejeita uma pausa duradoura das hostilidades, ao argumentar que isto permitiria a Kiev reforçar suas defesas.
Antes de qualquer pausa nos combates, a Rússia exige que a Ucrânia ceda toda a região de Donetsk (leste), que o Exército russo controla apenas parcialmente.
A situação das forças russas piorou nos últimos meses: pela primeira vez desde 2023, o território que controlam na Ucrânia diminuiu em cerca de 120 quilômetros quadrados em abril, segundo uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).
A.Moore--AT