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Irã atribui a EUA fracasso das negociações no Paquistão e exige garantias de segurança
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, atribuiu, nesta segunda-feira (27), aos Estados Unidos, o fracasso das conversas para pôr fim à guerra, durante visita à Rússia, na qual o presidente Vladimir Putin lhe garantiu apoio.
Quase três semanas após o cessar-fogo anunciado depois de 40 dias de combates de Estados Unidos e Israel contra o Irã, a Rússia continua sendo uma das principais bases de apoio da República Islâmica.
Até agora, os esforços para impulsionar os diálogos sobre o cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz fracassaram. No início de abril, o Paquistão, que atua como mediador, sediou uma primeira rodada de encontros.
"A abordagem dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não alcançasse os objetivos devido a exigências excessivas", disse Araghchi em sua chegada a São Petersburgo.
Desde que a guerra no Oriente Médio teve início, o mundo passou a "entender o verdadeiro poder do Irã" e "ficou evidente que a República Islâmica é um sistema estável, robusto e poderoso", disse o diplomata a Putin, segundo a televisão estatal russa.
A Rússia fará "tudo" o que estiver ao seu alcance para que "a paz seja alcançada o mais rápido possível", assegurou o presidente russo, citado pela mídia estatal de seu país.
Putin afirmou que Moscou pretende "continuar sua relação estratégica" com Teerã e exaltou a "coragem" e o "heroísmo" do povo iraniano, que luta por "sua independência".
O Irã precisa de "garantias críveis" perante Estados Unidos e Israel para poder assegurar a estabilização da região do Golfo, afirmou, nesta segunda, o representante de Teerã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, durante sessão do Conselho de Segurança convocada pelo Bahrein.
Dezenas de países condenaram a República Islâmica por interromper a passagem pelo Estreito de Ormuz, estratégica para o comércio mundial de petróleo.
- Trump analisa -
Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se nesta segunda-feira com seus principais assessores de segurança para analisar uma proposta iraniana que, segundo relatos da mídia norte-americana, reabriria o Estreito de Ormuz enquanto as negociações sobre a guerra continuam, informou a Casa Branca.
Ao ser consultada sobre o plano — que implicaria que tanto o Irã quanto os Estados Unidos suspendam seus bloqueios antes de continuarem as conversas sobre o programa nuclear iraniano —, a porta-voz Karoline Leavitt disse, em coletiva de imprensa, que "a proposta estava sendo discutida".
"Apenas porque foi informado, confirmo que o presidente se reuniu com sua equipe de segurança nacional esta manhã", afirmou. A porta-voz, no entanto, não quis dizer se Trump aceitaria a proposta.
- 'Nenhuma base legal' -
Agora, Teerã está elaborando um projeto de lei para que o estreito estratégico fique sob o controle do Exército iraniano, informou Ebrahim Azizi, presidente da comissão parlamentar encarregada da segurança nacional.
Segundo o texto, os navios israelenses ficariam proibidos de passar pelo estreito e qualquer embarcação que deseje cruzá-lo terá de pagar direitos de passagem em riais iranianos.
O secretário-geral da agência marítima da ONU, Arsenio Domínguez, reiterou que "não existe nenhuma base legal" para cobrar um pedágio "nos estreitos utilizados para a navegação internacional".
"Não podemos tolerar que os iranianos tentem instaurar um sistema no qual eles decidam quem pode usar uma via marítima internacional e quanto é preciso pagar a eles para usá-la", afirmou, por sua vez, o secretário de Estado americano Marco Rubio, em declarações à emissora Fox News.
Enquanto isso, em Teerã "a situação se tornou assustadora", contou Farshad, um empresário de 41 anos. "As pessoas estão chocadas por não terem dinheiro para comprar nada, nem para comer", disse à AFP. "Meus amigos estão pedindo empréstimos a pessoas do seu convívio apenas para conseguirem se manter".
- 'Duas ameaças principais' -
No front libanês, o Exército israelense reportou bombardeios contra posições do movimento islamista Hezbollah no leste do país, apesar do precário cessar-fogo que entrou em vigor há dez dias.
Aliado do Irã, o Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando lançou foguetes contra Israel em vingança pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Israel respondeu com bombardeios e uma invasão terrestre.
"Ainda há duas ameaças principais procedentes do Hezbollah: os foguetes de 122 mm e os drones", disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. "Isso exige uma combinação de ações operacionais e tecnológicas", afirmou.
O líder do movimento xiita, Naim Qassem, reafirmou seu repúdio às negociações diretas entre Líbano e Israel, e considerou que elas poderiam levar Beirute a uma "espiral de instabilidade".
Em resposta, o presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que a "traição" era daqueles que "levam seu país à guerra para alcançar interesses estrangeiros" e assegurou que não aceitará nenhum acordo "humilhante" com Israel.
Mais de 2.500 pessoas morreram no Líbano desde 2 de março, assim como 16 soldados israelenses, segundo fontes oficiais libanesas e de Israel.
burs-ft/dw/tc/abs/mas-ahg-jvb/erl/mr/nn/fp/yr/jc/aa/mvv/am/rpr
Y.Baker--AT