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Casa Branca anuncia negociações para novo ciclo de diálogos com Irã
A Casa Branca anunciou, nesta quarta-feira (15), negociações para realizar um segundo ciclo de diálogos com o Irã no Paquistão, depois que Teerã ameaçou bloquear o trânsito pelo Mar Vermelho se os Estados Unidos não suspenderem o bloqueio naval de seus portos.
O Irã reafirmou sua vontade de continuar os diálogos em um contexto de expectativa global sobre a continuação do cessar-fogo que vigora desde 8 de abril, a fim de acabar com uma guerra que sacudiu a economia mundial.
"Estas conversas estão sendo realizadas", mas não há nada oficial ainda, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, segundo quem o governo americano é "otimista em relação às perspectivas de um acordo".
A porta-voz informou que "muito provavelmente" as novas negociações serão realizadas no Paquistão, pois o país sediou o primeiro ciclo de diálogos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deu as boas-vindas, nesta quarta-feira, a uma delegação paquistanesa liderada pelo chefe do Exército, Asim Munir, dias depois de diálogos fracassados entre os Estados Unidos e o Irã no fim de semana no Paquistão para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
A chancelaria iraniana informou, nesta quarta-feira, que mantém contatos com os Estados Unidos através do Paquistão desde o retorno de sua delegação que viajou a Islamabad para as negociações.
As divergências sobre o programa nuclear do Irã são o principal obstáculo, e a chancelaria iraniana reiterou, nesta quarta-feira, que o direito do país de enriquecer urânio é "indiscutível", mas que o nível deste processo é "negociável".
O vice-presidente americano, JD Vance, disse que foi proposto ao Irã um "grande acordo".
Trump iniciou a guerra argumentando que o Irã estava perto de fabricar uma bomba atômica, uma afirmação não apoiada pelo organismo de controle nuclear da ONU. Teerã, por sua vez, defende que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Vance assegura que Trump prometeu "fazer o Irã prosperar" se o país se comprometer a "não ter uma arma nuclear".
Quanto à trégua, um alto funcionário americano disse que Washington "não acordou formalmente uma extensão do cessar-fogo" de duas semanas com o Irã, após informes de que os negociadores estavam se aproximando de obter uma prorrogação da suspensão das hostilidades, que vence em uma semana.
- Duplo bloqueio -
Os Estados Unidos intensificaram, nesta quarta-feira, a pressão sobre o Irã com um bloqueio naval, mas a República Islâmica ameaça obstruir as exportações do Mar Vermelho como represália.
Durante a noite, o Comando Central dos Estados Unidos declarou nas redes sociais que o bloqueio foi "aplicado plenamente" e que as forças americanas "detiveram por completo o comércio econômico que entra e sai do Irã por mar".
No entanto, o panorama baseado em dados de rastreamento marítimo na terça-feira era menos claro. Aparentemente, vários navios que zarparam de portos iranianos cruzaram o Estreito de Ormuz apesar do bloqueio.
Esta passagem estratégica está bloqueada pelas forças iranianas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, após os ataques israelenses-americanos contra o Irã.
Nesta quarta-feira, Teerã ameaçou bloquear o Mar Vermelho, ao qual não tem acesso territorial.
Se os Estados Unidos mantiverem seu bloqueio marítimo e "criarem insegurança para os navios comerciais do Irã e os petroleiros", isso significará "o prelúdio" de uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril, avaliou o general Ali Abdollahi Aliabadi, chefe do comando central das forças armadas iranianas.
- "Zona de extermínio" no Líbano -
Na outra frente da guerra, Washington pressiona para que se encerre o conflito entre Israel e o grupo pró-iraniano libanês Hezbollah, temendo que ponha em risco o cessar-fogo com o Irã e uma solução para o conflito.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o primeiro objetivo da negociação com o Líbano é garantir o "desmantelamento" do movimento islamista Hezbollah, depois que os embaixadores dos dois países se reuniram na terça-feira em Washington, nos primeiros diálogos diretos de alto nível desde 1993.
Mais cedo, o porta-voz do governo israelense, David Mencer, afirmou que se trata de uma "oportunidade histórica para pôr fim a décadas de domínio do Hezbollah sobre o Líbano".
No entanto, o porta-voz insistiu que "não se está negociando nenhum cessar-fogo" com o grupo islamista xiita.
O chefe do Estado-Maior do exército israelense disse ter ordenado que uma zona de aproximadamente 30 quilômetros da fronteira sul do Líbano ao rio Litani seja transformada em uma "zona de extermínio" do Hezbollah, no âmbito de uma intensa ofensiva de suas tropas.
Israel ocupa partes do sul do Líbano e tem resistido a qualquer trégua nos combates com o Hezbollah, argumentando que o movimento alinhado ao Irã segue sendo o principal obstáculo para a paz.
Além disso, Netanyahu afirmou que os Estados Unidos mantêm Israel informado constantemente sobre seus contatos com o Irã e que os dois países têm os mesmos objetivos, e acrescentou que querem que o urânio enriquecido seja retirado do país, que sua capacidade de enriquecimento seja eliminada e a reabertura do Estreito de Ormuz.
burs-ec/dcp/hgs/erl/hgs/an/dga/mvv/am
A.O.Scott--AT