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Diálogo entre Cuba e EUA é 'muito preliminar', diz vice-chanceler de Cuba
O diálogo entre Cuba e Estados Unidos é a via para superar as crescentes tensões bilaterais, mas ainda é um processo "muito preliminar", afirmou nesta terça-feira (7) à AFP a vice-ministra das Relações Exteriores de Cuba, Josefina Vidal, figura essencial no restabelecimento das relações entre os dois países em 2015.
As declarações de Vidal, de 65 anos, foram feitas durante uma manifestação de mulheres em Havana para denunciar os efeitos das sanções econômicas americanas contra a ilha, sob um bloqueio petrolífero que elevou as tensões políticas entre estes dois ex-rivais da Guerra Fria, que, entretanto, mantêm contatos diplomáticos.
"Estamos em uma fase muito preliminar, muito inicial, e ainda não existe uma negociação estruturada entre os dois governos", explicou a vice-chanceler, uma das arquitetas do restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos em 2015, sob os governos de Raúl Castro (2008-2018) e o segundo mandato de Barack Obama (2013-2017).
As relações entre Havana e Washington se deterioraram ainda mais desde o final de janeiro, quando o presidente Donald Trump impediu as exportações de petróleo para Cuba, depois que forças americanas derrubaram Nicolás Maduro, até então o principal aliado de Havana, e ameaçou retaliar os países que enviassem petróleo bruto à ilha.
Em fevereiro, o jornal The Miami Herald mencionou Vidal como uma das participantes, junto com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, em contatos secretos com a equipe do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Havana não reagiu a estas afirmações.
O governo cubano confirmou em 13 de março a existência de diálogos com Washington para buscar "soluções, pela via do diálogo, para as diferenças bilaterais". No mesmo dia, iniciou a libertação de presos políticos como parte de um acordo com o Vaticano, o histórico mediador entre os dois países.
Três semanas depois, Havana anunciou o indulto de mais de 2.000 detentos, mas até o momento não figura entre os beneficiados nenhum prisioneiro político, segundo ONGs de direitos humanos.
Mais de uma década após o histórico degelo entre as duas nações, que terminou com o primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021), a vice-chanceler cubana recordou que aquele processo foi construído com rapidez e vontade política de ambas as partes, mas agora observa um cenário muito diferente.
"Trabalhamos para criar uma relação que não estava isenta de diferenças, mas que não colocava essas diferenças no centro", comentou.
Vidal insistiu que "Cuba sempre acreditou no diálogo" e "não na confrontação".
A.Taylor--AT