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Investigação jornalística revela suposta campanha midiática russa contra Milei na Argentina
Uma rede associada aos serviços de inteligência da Rússia impulsionou uma campanha contra o governo do presidente da Argentina, Javier Milei, em 2024, informou, na quinta-feira (2), um consórcio internacional de veículos jornalísticos a partir de documentos vazados.
A investigação revelou que uma rede de espionagem russa conhecida como "A Companhia" instalou um sistema de distribuição de conteúdos em meios digitais e redes sociais da Argentina para amplificar desinformação e críticas sobre a situação econômica, incluindo exageros e notícias falsas, entre junho e outubro de 2024, antes das eleições parlamentares de meio de mandato.
"A espionagem que veio à tona é de uma gravidade institucional poucas vezes vista na história", escreveu Milei nesta sexta-feira (3) em sua conta no X, acrescentando que "os 'jornalistas' e 'meios de comunicação' vinculados a isso são apenas a ponta do iceberg de algo muito maior".
A investigação detectou registros de pelo menos 250 notícias, análises e artigos de opinião em mais de 20 veículos digitais, orçados nos documentos em 283.000 dólares (R$ 1,5 milhão, na cotação da época).
"Vamos levar isso até as últimas consequências para identificar todos os atores diretos e indiretos que participaram desta rede de espionagem ilegal", assegurou Milei.
Os 15 meios de comunicação envolvidos que foram consultados pelo consórcio negaram qualquer ligação com dinheiro da Rússia e explicaram que os artigos foram oferecidos por agências de notícias, consultorias ou intermediários, embora duas fontes tenham admitido que receberam pagamentos para publicar alguns deles, provenientes de empresários que diziam estar preocupados com as políticas de Milei.
Muitos artigos não tinham autor e, quando apareciam assinaturas, tratavam-se de nomes inventados, em alguns casos com fotos criadas por meio de um software.
Os documentos também revelam uma tentativa de provocar uma crise diplomática entre Argentina e Chile por meio da difusão de uma notícia falsa que atribuía a Milei o envio de um "grupo de sabotagem" para atacar o gasoduto transandino.
A informação resulta de 76 documentos obtidos pelo veículo africano The Continent e verificados por um consórcio jornalístico que inclui o Dossier Center e o iStories (Rússia), All Eyes on Wagner e Forbidden Stories (França), dois jornalistas de língua russa e o openDemocracy (Grã-Bretanha), revelou este último meio.
A secretaria de Inteligência local afirmou tratar-se de um caso que "já havia sido investigado" e encaminhado à Justiça em 2025, em comunicado divulgado na quinta-feira.
O Fórum de Jornalismo Argentino (Fopea) já havia publicado em janeiro uma investigação sobre os mecanismos da desinformação russa na Argentina.
G.P.Martin--AT