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Trump ameaça destruir principal terminal petrolífero do Irã apesar de alta dos preços
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou, nesta segunda-feira (30), "destruir completamente" a ilha de Kharg, o principal terminal petrolífero do Irã, caso não se alcance "rapidamente" um acordo para encerrar a guerra e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz.
O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, se estendeu por toda a região e elevou os preços de energia.
O conflito não dá sinais de trégua: os bombardeios de Israel contra alvos no Irã continuaram no fim de semana e nesta segunda-feira, enquanto segue a ofensiva israelense no Líbano contra o movimento xiita pró-Irã Hezbollah.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aliado de Trump nos ataques contra o Irã, afirmou que mais da metade de seus objetivos militares foram alcançados, mas se negou a estabelecer um prazo para concluir a operação.
O preço do petróleo aumentou mais de 50% desde o início da guerra como consequência do bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para as exportações mundiais de hidrocarbonetos. Nesta segunda-feira, o barril de tipo Brent chegou a superar os 115 dólares durante a sessão.
Os especialistas do mercado advertem que uma operação terrestre dos Estados Unidos ou uma intensificação dos ataques do Irã contra os países do Golfo podem levar os preços de energia para níveis sem precedentes desde o aumento das matérias-primas de 2008, e que o barril de tipo Brent poderia chegar a 150 dólares.
Na mesma mensagem em sua rede Truth Social em que afirmava que "destruiria completamente" a ilha de Kharg — que concentra 90% das exportações de petróleo do Irã — Trump assegurou que os Estados Unidos estão em "conversas sérias" com um novo governo iraniano, que qualificou como "mais razoável" que o anterior, sem dar detalhes.
Trump também ameaçou acabar com usinas geradoras de eletricidade, poços de petróleo e plantas de dessalinização.
A destruição de tal infraestrutura civil pode ser ilegal segundo o direito internacional humanitário e pode constituir um crime de guerra, segundo especialistas.
O Irã respondeu aos ataques com bombardeios a seus vizinhos árabes do Golfo onde os Estados Unidos possuem bases militares.
- Pedágio em Ormuz -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, sugeriu à Arábia Saudita que "expulsasse as forças americanas", e insistiu em que os seus ataques na região estão direcionados contra seus "agressores inimigos".
Por sua vez, um comitê do Parlamento iraniano aprovou a cobrança de uma taxa aos navios que atravessam o Estreito de Ormuz, e a televisão estatal informou que o Irã proibiria a passagem de embarcações de Estados Unidos e Israel.
A decisão foi repudiada pelos Estados Unidos, e o secretário de Estado Marco Rubio declarou à rede Al Jazeera que "ninguém no mundo poderia aceitar isso".
Na semana passada, o comando militar americano enviou para a região um navio de assalto anfíbio, à frente de um grupamento naval que inclui "cerca de 3.500" marinheiros e soldados do Corpo de Fuzileiros Navais.
No Irã, os ataques do fim de semana contra a rede elétrica provocaram apagões em vários pontos da capital, mas, nesta segunda-feira, o Ministério da Energia afirmou que a rede estava "estável" apesar dos bombardeios.
O presidente do Egito, Abdel Fattah al Sissi, pediu ajuda a Trump para "encerrar a guerra" em um discurso durante una conferência sobre energia.
O conflito continua em outras frentes e os ataques israelenses em território libanês deixaram mais de 1.200 mortos desde a retomada dos enfrentamentos com o Hezbollah em 2 de março, e o primeiro-ministro israelense ordenou ao Exército "expandir" a zona de segurança no país vizinho para "neutralizar" a ameaça do movimento xiita.
A Força Interina da ONU no Líbano (Unifil) informou que dois de seus efetivos morreram nesta segunda-feira em uma explosão no sul do país, depois da morte de outro capacete azul no domingo.
O Conselho de Segurança manterá nesta terça-feira uma reunião de urgência a respeito, a pedido da França.
- 'Sinto falta de uma noite de sono tranquila' -
Os bombardeios parecem ter se intensificado neste fim de semana sobre a capital iraniana. A ONG Hrana contabilizou ao menos 360 ataques em 24 horas em 18 províncias do país.
Para os moradores de Teerã com os quais a AFP fez contato a partir de Paris, nada mais é normal.
"Sair à noite ou simplesmente poder ir a outro bairro da cidade, fazer minhas compras em outro lugar que não seja a pequena mercearia ou a padaria da minha rua, poder ler em um café, ir ao parque [...] Sinto falta dessas coisas muito, muito simples", relatou Elnaz, pintora de 32 anos.
"Sinto falta de uma noite de sono tranquila", afirmou.
A ONG Acled, que compila dados sobre conflitos, registrou durante o primeiro mês de guerra cerca de 2.300 bombardeios americanos e israelenses, e 1.160 ataques iranianos em retaliação.
burx-emd/jvb/mab-an/pc/vel/mas/mel/lm/ic/mvv/rpr
A.Moore--AT