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Kremlin comemora chegada de petroleiro russo a Cuba
O Kremlin comemorou nesta segunda-feira (30) a chegada a Cuba de um petroleiro russo que é objeto de sanções, apesar do bloqueio imposto por Washington ao fornecimento de combustível à ilha comunista aliada de Moscou.
Segundo o site especializado MarineTraffic, o petroleiro navegava na manhã de segunda-feira ao longo da costa cubana em direção a Matanzas, mas ainda não estava claro se havia atracado em algum porto.
"Ficamos felizes que essa carga de produtos petrolíferos chegue à ilha, ou melhor, que já tenha chegado", declarou em sua coletiva diária Dmitri Peskov, porta-voz da presidência russa, sobre o navio Anatoly Kolodkin, carregado com 730.000 barris de petróleo bruto.
A Rússia é uma aliada próxima de Havana e criticou Washington por bloquear o fornecimentos de combustível à ilha.
"A Rússia considera seu dever dar um passo à frente e fornecer a ajuda necessária aos nossos amigos cubanos", afirmou Peskov.
- Primeiro carregamento de petróleo -
A carga de petróleo seria a primeira a chegar a Havana desde o início de janeiro, quando forças americanas capturaram em Caracas o líder venezuelano e aliado de Cuba, Nicolás Maduro.
Sua queda privou Cuba de seu principal fornecedor de petróleo e desencadeou uma crise energética na ilha, que elevou os preços do combustível e provocou apagões diários.
Após impedir a chegada de petróleo venezuelano - mas também de outros países, como o México, sob ameaça de tarifas -, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que não tinha "nenhum problema" com o envio de petróleo russo à ilha.
"Cuba está acabada, tem um regime ruim, tem dirigentes muito ruins e corruptos e, consigam ou não um navio de petróleo, isso não vai importar", disse Trump a jornalistas ao retornar a Washington de sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.
"Eu preferiria deixar que entre, seja da Rússia ou de qualquer outro, porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e todas as outras coisas necessárias", acrescentou o presidente americano.
- Cortes diários -
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, adotou medidas de emergência, incluindo um severo racionamento de gasolina.
Ele advertiu neste mês que "qualquer agressor externo encontrará uma resistência inquebrável".
Os preços dos combustíveis dispararam, o transporte público foi drasticamente reduzido e várias companhias aéreas suspenderam seus voos para Cuba.
O país sofreu sete apagões generalizados desde o início de 2024, dois deles neste mês, o que provocou protestos incomuns.
Na última semana, um comboio de ajuda humanitária levou a Cuba, por via aérea e marítima, mais de 50 toneladas de medicamentos, alimentos, painéis solares e outros bens, e no sábado dois veleiros realizaram entregas a partir do México.
O Anatoly Kolodkin, alvo de sanções americanas, carregou petróleo no porto russo de Primorsk em 8 de março.
Ele foi escoltado por um navio da Marinha russa através do canal da Mancha; no entanto, as duas embarcações se separaram quando o petroleiro entrou no Oceano Atlântico, informou a Marinha Real britânica.
Outro navio que, segundo informações, transportava diesel russo para Cuba, o Sea Horse, com bandeira de Hong Kong, chegou à Venezuela na semana passada.
H.Thompson--AT