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Israel ataca Teerã; Trump diz que acordo com o Irã está próximo
Irã e Israel voltaram a anunciar bombardeios nesta segunda-feira (30), apesar da declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que estaria próximo de um acordo para acabar com o conflito.
A declaração de Trump foi uma tentativa de acalmar os mercados, nervosos com a falta de perspectiva de fim do conflito, que deixou milhares de mortos e provocou uma crise econômica, com a cotação do petróleo acima de 100 dólares.
O Exército israelense anunciou na manhã de segunda-feira que suas forças atacam "atualmente infraestruturas militares do regime de terror iraniano ao longo de Teerã".
Ao mesmo tempo, o Exército do país informou que havia detectado mísseis lançados do Irã e que seus "sistemas de defesa estão operando para interceptar a ameaça".
Apesar da persistência do conflito, com ataques por toda a região do Golfo, Trump insistiu que está próximo de um acordo com o Irã.
"Acredito que vamos chegar a um acordo com eles, tenho bastante certeza (...) mas já tivemos uma mudança de regime", declarou Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, ao destacar o número de dirigentes iranianos mortos na guerra.
"Estamos lidando com pessoas diferentes de quaisquer outras com as quais já se tenha lidado antes. É um grupo de pessoas totalmente diferente. Então, eu consideraria isso uma mudança de regime", disse Trump.
Não ficou claro a quem Trump se referia. No primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, que foi substituído por seu filho, Mojtaba Khamenei.
O presidente americano também afirmou que o Irã permitirá o trânsito de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz, um ponto crucial por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo.
O Irã mantém o estreito bloqueado desde o início do conflito.
O barril de petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado americano, subia 3,23%, a 102,86 dólares, nas negociações do mercado asiático, enquanto o Brent do Mar do Norte, referência do mercado mundial, avançava 2,95%, a 115,89 dólares.
"As pessoas acordam todos os dias preocupadas com um futuro incerto", disse à AFP Farzaneh, uma iraniana de 62 anos, da cidade de Ahvaz. E tudo isso enquanto "ninguém deseja realmente a guerra", lamentou.
- Tropas americanas no Irã? -
As especulações sobre o possível envio de tropas americanas ao território iraniano são intensas. O presidente Donald Trump mantém certa ambiguidade a respeito dessa possibilidade.
Segundo o jornal Washington Post, que cita fontes do governo americano que pediram anonimato, o Pentágono se prepara para executar operações terrestres de várias semanas que não seriam uma invasão em larga escala, mas incursões de forças especiais no território iraniano.
Na sexta-feira, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, havia descartado esta possibilidade, ao insistir em que os "objetivos" da guerra no Irã podem ser alcançados sem o envio de tropas terrestres.
Um navio americano de ataque anfíbio, que lidera um grupamento com 3.500 marinheiros e integrantes do Corpo de Fuzileiros Navais, chegou na sexta-feira à região.
"Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, em segredo, planeja uma ofensiva terrestre", afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em comunicado.
"Nossos homens aguardam a chegada dos soldados americanos em terra para atacá-los e punir de uma vez por todas seus aliados regionais", advertiu.
Paralelamente, os esforços diplomáticos continuam para tentar acabar com a guerra, iniciada em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã.
- Líbano sob fogo -
Os ministros das Relações Exteriores de Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita estão reunidos desde domingo em Islamabad, a capital paquistanesa, para tratar do conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, declarou que seu país está disposto a mediar e sediar "conversas substanciais" entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito, e destacou o apoio crescente a seus esforços de paz.
Contudo, o Irã mantém os ataques contra países do Golfo.
Ao mesmo tempo, o Exército israelense afirmou que lançou um ataque contra uma área em Teerã na qual o Ministério da Defesa do Irã produz componentes essenciais para a fabricação de mísseis balísticos.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que bombardeou com mísseis balísticos um complexo industrial no sul de Israel em resposta "aos ataques do eixo americano-sionista a centros industriais" iranianos.
No Líbano, os ataques israelenses provocaram 1.238 mortes desde o início da guerra em 2 de março, incluindo 124 crianças, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou neste domingo que o Exército "expanda" a zona de segurança no país vizinho para "neutralizar" a ameaça do movimento islamista xiita Hezbollah.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) anunciou nesta segunda-feira a morte de um de seus soldados, um indonésio, depois que um projétil atingiu uma de suas posições no sul do país.
burx-cjc/pc/meb/pb-an/dg/mas/mvl/pb/fp
O.Gutierrez--AT