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Israel assumirá controle de vasta área no sul do Líbano
O exército israelense anunciou, nesta terça-feira (24), que assumirá o controle de uma grande zona de "segurança" no sul do Líbano, até o rio Litani, a cerca de 30 km da fronteira, enquanto continua bombardeando o restante do território libanês.
O anúncio remete os libaneses a 1982, quando, no contexto da guerra civil, Israel invadiu toda a região.
O exército israelense manteve uma zona tampão entre 10 e 20 km de profundidade até sua retirada completa em 2000, sob pressão do movimento pró-Irã Hezbollah, com o qual está novamente em conflito, desta vez no contexto da guerra contra o Irã.
As forças israelenses "manobram dentro do território libanês para tomar uma linha defensiva avançada" até o rio Litani, declarou o ministro da Defesa, Israel Katz, em um vídeo divulgado por seu gabinete.
A consequência para os civis é que "as centenas de milhares de moradores do sul do Líbano que foram deslocados para o norte não retornarão ao sul do Litani até que a segurança dos habitantes do norte de Israel seja garantida", acrescentou Katz.
Desde que o Hezbollah, apoiado pelo Irã, arrastou o Líbano para a guerra regional, Israel realizou centenas de ataques no país vizinho, que, segundo as autoridades, causaram mais de mil mortes e deslocaram mais de um milhão de pessoas.
"A batalha contra o Hezbollah (...) apenas começou", alertou Ella Waweya, porta-voz do exército israelense em árabe, na segunda-feira.
Nesta terça-feira, ao amanhecer, bombardeios israelenses mataram cinco pessoas no sul do país e outras três em uma área residencial perto de Beirute.
- "O que eu fiz para merecer?" -
"Minha casa foi completamente destruída. Não sobrou nada, tudo queimou", disse Abbas Qasem, de 55 anos, à AFP. Um apartamento vizinho foi alvo de um ataque em Bchamoun, a sudeste de Beirute.
"O que eu fiz para merecer ter minha casa destruída? Sou apenas uma pessoa comum", acrescentou, chorando, assim como sua esposa, ao descobrir a devastação em seu apartamento.
Nesse ataque específico, uma menina de quatro anos morreu e outras quatro pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde.
Bchamoun não é um reduto do Hezbollah.
O movimento islamista entrou na guerra em 2 de março para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que foi morto dois dias antes, no primeiro dia de ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
O movimento xiita afirmou estar resistindo ao avanço das forças israelenses em cidades fronteiriças e reivindicou a responsabilidade por ataques contra soldados na vila de Al-Qauzah e contra o norte de Israel.
Segundo a agência estatal libanesa NNA, uma unidade israelense invadiu a cidade fronteiriça de Halta, onde soldados invadiram várias casas "e abriram fogo contra os moradores", deixando um morto e um ferido.
Ao mesmo tempo, na frente diplomática, o Líbano revogou o credenciamento do recém-nomeado embaixador do Irã em Beirute, Mohammad Reza Raeuf Sheibani, e deu-lhe até domingo para deixar o país.
As autoridades de Beirute acusam a Guarda Revolucionária do Irã de dirigir as operações do movimento libanês Hezbollah contra Israel.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, elogiou a decisão libanesa de expulsar o embaixador iraniano. Era "necessária", disse ele.
Mas também pediu ao governo de Beirute que adote "medidas concretas e significativas" contra o Hezbollah, que tem dois ministros no gabinete.
H.Gonzales--AT