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Esquerda mantém Paris e Marselha em eleições municipais acirradas a um ano das presidenciais
A esquerda manteve neste domingo (22) Paris e Marselha em eleições municipais disputadas, que também viram a extrema direita e a esquerda radical se imporem em cidades médias, a um ano da eleição presidencial de 2027.
Embora as eleições municipais costumem seguir dinâmicas locais, a apuração permite medir o peso dos partidos antes da eleição presidencial de 2027, para a qual o presidente de centro-direita Emmanuel Macron já não pode se candidatar.
A participação final foi estimada em torno de 57%, como no primeiro turno, o que confirmaria um desencanto dos franceses com as eleições municipais. A abstenção é a segunda mais alta, depois do pleito de 2020, realizado em plena pandemia.
A campanha foi marcada por forte tensão entre os partidos, em um momento em que a França vive uma profunda crise política desde as eleições legislativas antecipadas de 2024, que deixaram três blocos sem maioria: esquerda, centro-direita e extrema direita.
Com Marine Le Pen inelegível, o eurodeputado de extrema direita Jordan Bardella lidera, segundo as pesquisas, a corrida para suceder Macron.
As alianças na esquerda e no centro-direita serão decisivas para disputar o segundo turno de 2027 e, nesse sentido, as eleições municipais eram vistas como um teste para o equilíbrio de forças em cada bloco.
- A esquerda moderada resiste -
Em Paris, o deputado socialista Emmanuel Grégoire, aliado a ecologistas e comunistas, venceu com folga, com 53,1% dos votos, a ex-ministra conservadora Rachida Dati, candidata da aliança macronista e da direita, que contava com o apoio tácito da extrema direita, segundo uma estimativa da Ipsos BVA Cesi.
"Paris decidiu permanecer fiel à sua história", comemorou Grégoire, que sucederá a franco-espanhola Anne Hidalgo e se tornará o terceiro prefeito socialista consecutivo desde 2001.
Isso representa uma importante vitória para a esquerda moderada, que recusou se aliar em Paris com a candidata do partido A França Insubmissa (LFI), Sophia Chikirou (8,9%), após uma campanha marcada por polêmicas envolvendo o suposto antissemitismo de seu líder, Jean-Luc Mélenchon.
Para o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, os resultados confirmaram que a "provocação desmedida" é um "beco sem saída" e ele convocou a esquerda a se unir.
A esquerda também manteve Marselha sob o comando do prefeito em exercício, Benoît Payan, que venceu o deputado de extrema direita Franck Allisio, graças à retirada no segundo turno do candidato da LFI para evitar uma vitória da extrema direita.
Os socialistas também manteriam Lille, em aliança com os ecologistas, e tirariam destes últimos Estrasburgo, em coalizão com a direita.
- A "esperança" Philippe -
Um dos grandes vencedores no campo de centro-direita foi o ex-primeiro-ministro de Macron, Édouard Philippe, que havia condicionado sua candidatura à eleição presidencial de 2027 à sua reeleição como prefeito de Le Havre. Ele venceu.
"Os moradores de Le Havre sabem que há razões para ter esperança quando todas as pessoas de boa vontade se unem (...) e afastam os extremos", celebrou Philippe, que tinha como adversários um comunista e um candidato de extrema direita.
Os primeiros resultados apontam, no entanto, para vitórias importantes da esquerda radical e da extrema direita, além da derrota dos ecologistas em cidades que governavam desde a "onda verde" de 2020, como Estrasburgo, Besançon e Poitiers.
A LFI conquistou, sem surpresas, Roubaix, após ter vencido Saint-Denis, ao norte de Paris, no primeiro turno. Mas fracassou em sua tentativa de tirar da direita outras cidades como Toulouse e Limoges, apesar de contar com o apoio de socialistas e ecologistas.
Ainda assim, seu coordenador nacional, Manuel Bompard, celebrou um "avanço" de sua formação e uma "onda de desalojamento", em sua opinião, dentro da esquerda, com a derrota anunciada de vários prefeitos socialistas ou ecologistas em exercício.
A líder de extrema direita Marine Le Pen também comemorou que seu partido conquistou "dezenas" de localidades na França, embora tenha fracassado nos objetivos que havia estabelecido, como Marselha, Toulon e Nîmes, na região mediterrânea. Seu aliado Éric Ciotti, no entanto, venceu em Nice.
A votação ocorreu em cerca de 1.500 localidades, já que a grande maioria dos franceses escolheu seus prefeitos no primeiro turno.
burs-tjc/jvb/ic/am
O.Gutierrez--AT