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Paquistão e Afeganistão anunciam cessar-fogo durante fim do Ramadã
Paquistão e Afeganistão anunciaram nesta quarta-feira (18) uma trégua durante a festa que marca o fim do Ramadã no conflito que os dois lados mantêm há várias semanas e que deixou centenas de mortos esta semana.
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, detalhou que essa trégua, que vigorará a partir de quinta-feira até a meia-noite de segunda-feira, horário local, ocorreu "a pedido de países islâmicos amigos, como Arábia Saudita, Catar e Turquia".
"O Paquistão fez este gesto de boa-fé e de acordo com as normas islâmicas", escreveu no X, mas advertiu que "em caso de qualquer ataque transfronteiriço, ataque com drones ou qualquer incidente terrorista dentro do Paquistão, as operações serão retomadas imediatamente com maior intensidade".
Pouco depois, o porta-voz do governo afegão, Zabiullah, anunciou um "cessar-fogo temporário" do que definiu como "operações defensivas para repelir a injustiça".
O alto funcionário afegão também mencionou que o gesto havia sido solicitado pela Arábia Saudita, Catar e Turquia.
Enquanto isso, em Cabul, a capital afegã, ocorreram os funerais de algumas das centenas de vítimas de um ataque paquistanês contra um centro de desintoxicação de dependentes químicos em Cabul, diante do qual o governo talibã prometeu represálias.
Em uma encosta nos arredores de Cabul, e sob a chuva, voluntários do Crescente Vermelho afegão transportaram dezenas de caixões de madeira de uma frota de ambulâncias até uma vala comum, escavada no terreno rochoso por grandes escavadeiras.
Ao lado da vala, o ministro do Interior, Sirajuddin Haqqani, afirmou que os falecidos eram vítimas inocentes atacadas por "criminosos", a poucos dias do fim do Ramadã.
"Hoje foi um dia triste. Expresso minhas mais sinceras condolências ao Afeganistão, especialmente às famílias dos mártires", disse aos presentes.
- "Não queremos a guerra" -
"Vamos nos vingar", acrescentou o ministro, advertindo os responsáveis pelo ataque da noite de segunda-feira: "Não fomos fracos, nem indefesos. Vocês verão as consequências de seus crimes".
Mas Haqqani também sugeriu que as negociações foram a opção preferencial para interromper os combates.
"Não queríamos guerra, mas a situação chegou a este ponto", disse ele. "É por isso que tentamos resolver os problemas por meio da diplomacia".
As autoridades talibãs afirmaram que cerca de 400 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas no ataque de segunda-feira, o incidente mais mortal até o momento na escalada da violência entre os dois países vizinhos.
O Paquistão, que negou ter bombardeado deliberadamente a clínica, acusou Cabul de abrigar extremistas que, por sua vez, realizaram ataques em seu território. O Afeganistão negou essa acusação.
Jornalistas da AFP que estavam no local na noite de segunda-feira e na manhã de terça-feira viram pelo menos 95 corpos sendo retirados dos escombros da clínica devastada.
Jacopo Caridi, diretor no Afeganistão do Conselho Norueguês para Refugiados, uma ONG humanitária, explicou que eles também participaram dos esforços de resgate.
"Pelo que vimos e pelo que conversamos com outras pessoas envolvidas na resposta (de emergência), podemos dizer que havia centenas de mortos e feridos", disse à AFP.
bur-phz-ash-qb-iw/al/pb/aa/mvv/am
D.Johnson--AT