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Fortes explosões abalam o Irã durante manifestação com autoridades de alto escalão
Explosões massivas abalaram a capital do Irã nesta sexta-feira (13) durante uma manifestação pró-governo que contava com a presença de diversas autoridades de alto escalão, no décimo quarto dia da guerra no Oriente Médio que afeta a economia global.
Os ataques dos EUA e de Israel que mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, deflagraram uma guerra que se intensificou ainda mais na manhã desta sexta-feira.
Uma série de explosões poderosas, em curtos intervalos e de intensidade incomum, sacudiu Teerã.
De acordo com a mídia estatal iraniana, várias detonações ocorreram perto de uma manifestação onde uma multidão exibia faixas com slogans como "Morte aos Estados Unidos e a Israel".
Pelo menos uma mulher morreu nas explosões, segundo a mesma fonte.
O chefe de segurança iraniano, Ali Larijani, uma das principais autoridades do país, participou da manifestação e afirmou que os ataques de Washington nasceram do "desespero".
O presidente Masoud Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, também estavam presentes.
- "Provavelmente desfigurado" -
O novo líder, Mojtaba Khamenei, não foi visto. Ele não aparece em público desde que assumiu o poder após a morte de seu pai.
O novo líder iraniano teria sido ferido no ataque que matou seu pai e, de acordo com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, está "provavelmente desfigurado".
"Ele não pode mostrar o rosto em público", ironizou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, após a primeira mensagem de Khamenei como líder supremo ter sido um discurso proferido por um apresentador na televisão estatal.
Nele, o líder iraniano pediu o fechamento das bases americanas na região e defendeu o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos.
Apesar da liberação recorde de reservas de petróleo, o preço do barril permaneceu em torno de 100 dólares nesta sexta-feira (cerca de 520 reais).
A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a guerra pode causar "a maior interrupção no fornecimento" da história do setor.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, afirma estar preparada para uma longa campanha, mesmo que isso signifique "destruir" a economia mundial.
Nesta sexta-feira, alertou que quaisquer novas manifestações contra o governo enfrentarão uma resposta "mais forte" do que em janeiro, quando milhares de pessoas morreram durante a repressão aos protestos antigovernamentais.
- Êxodos em massa -
A guerra provocou êxodos em massa dentro do Irã, com mais de três milhões de pessoas deslocadas, segundo a ONU.
"Quase todas as famílias aqui estão acolhendo pelo menos uma família que veio de Teerã", disse à AFP uma mulher de 30 anos que mora em Kermanshah (leste).
A população está "extremamente tensa e revoltada", principalmente por causa do racionamento de pão e fita adesiva, usada para proteger janelas de explosões.
Hegseth afirmou que os Estados Unidos e Israel já atingiram mais de 15.000 alvos desde o início da guerra e alertou que esta sexta-feira seria o dia mais intenso de bombardeios até agora.
"Temos poder de fogo sem precedentes, munição ilimitada e todo o tempo do mundo. Observem o que acontecerá com esses lunáticos hoje", escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, nas redes sociais.
Em entrevista à Fox News Radio, Trump também afirmou que o poder do Irã cairá, "mas talvez não imediatamente".
- Fumaça e crateras no solo -
No Golfo, a série de ataques iranianos contra monarquias ricas em petróleo continua, algumas das quais abrigam bases americanas.
Jornalistas da AFP ouviram explosões em Dubai, cujo centro estava envolto em uma nuvem de fumaça.
A Arábia Saudita relatou a destruição de dezenas de drones e, em Omã, duas pessoas morreram por um ataque de drone.
A Turquia afirmou que as defesas da Otan interceptaram um míssil balístico lançado pelo Irã em seu espaço aéreo, o terceiro incidente desse tipo em pouco mais de uma semana.
Em mais um indício da intensificação do conflito, a guerra fez sua primeira baixa entre as tropas francesas, um país com presença na região, mas que não participa da campanha contra o Irã.
O soldado foi atingido por um drone iraniano durante um exercício de treinamento antiterrorista na região de Erbil, informou seu comandante.
Em outra região do Iraque, um avião de reabastecimento americano caiu e matou todos os seis tripulantes, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).
Embora Washington afirme que a queda não foi causada por "fogo amigo ou inimigo", o Exército iraniano alegou que o avião foi atingido por um míssil disparado por grupos armados pró-Irã.
Em Israel, um ataque em Zarzir (norte) deixou cerca de 60 feridos, segundo a polícia. Imagens da AFP mostraram veículos carbonizados e crateras no solo.
O conflito também atingiu duramente o Líbano, onde as autoridades relataram pelo menos 687 mortes em bombardeios israelenses.
Fotos da AFP tiradas no centro de Beirute mostram prédios reduzidos a escombros e os restos carbonizados de veículos.
burs-rle/eml/arm-erl-meb/dbh/aa-jc
A.Ruiz--AT