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Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã e influente sucessor de seu pai
Eleito neste domingo (8) para assumir o comando do Irã e suceder ao seu pai na função de líder supremo, Mojtaba Khamenei é considerado uma das personalidades mais influentes daquele país.
O clérigo, de 56 anos, não ocupou nenhum cargo oficial durante o mandato de seu pai, mas especulava-se que ele atuava nos bastidores do poder em Teerã.
Ele é considerado próximo aos conservadores, principalmente devido aos seus vínculos com a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, que rapidamente jurou lealdade ao novo líder.
Sua nomeação também recebeu apoio do presidente Masoud Pezeshkian, das forças armadas e do Poder Judiciário poucas horas após o anúncio oficial.
Devido à sua discrição em cerimônias oficiais e na mídia, a verdadeira extensão da influência do filho de Khamenei era alvo de intensa especulação entre o público iraniano e os círculos diplomáticos.
Ele foi nomeado pelo máximo órgão clerical do país, a Assembleia de Especialistas, em um comunicado divulgado pouco depois da meia-noite desta segunda-feira (17h30 de domingo, no horário de Brasília).
Outros candidatos à liderança do país incluíam Alireza Arafi, um dos três membros do conselho interino que governava o país, Mohsen Araki e até mesmo Hassan Khomeini, neto do fundador da república islâmica em 1979.
Por fim, a assembleia escolheu Mojtaba Khamenei, adotando uma abordagem hereditária que seu pai, Ali Khamenei, havia inicialmente rejeitado em 2024. A Revolução Islâmica pôs fim a um regime monárquico milenar organizado em dinastias.
Nascido em 8 de setembro de 1969, na cidade sagrada de Mashhad (leste), Mojtaba Khamenei é um dos seis filhos do falecido líder supremo e o único com uma posição pública.
O aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que liderava o país desde 1989, foi morto em 28 de fevereiro em um ataque israelense realizado no início de sua ofensiva conjunta com os Estados Unidos.
- Nunca eleito -
O religioso, com sua barba grisalha e turbante preto dos "seyed" — os descendentes do profeta Maomé —, foi apresentado por alguns como o verdadeiro líder, que atuaria nos bastidores do gabinete do líder supremo, o núcleo do poder no Irã.
Ele também é um veterano da longa guerra entre Irã e Iraque da década de 1980, na qual serviu em uma unidade de combate da Guarda Revolucionária. Naquela época, seu pai exercia a função de presidente do Irã.
Quando lhe impôs sanções em 2019, o Tesouro americano indicou que Mojtaba Khamenei "representava oficialmente o líder supremo, embora nunca tenha sido eleito nem nomeado para um cargo governamental além de suas funções no escritório do pai".
Ali Khamenei "delegou parte de suas responsabilidades de liderança ao filho", que trabalhou "em estreita colaboração" com unidades da Guarda Revolucionária "para avançar as ambições regionais desestabilizadoras de seu pai e seus objetivos repressivos internos", acrescentou o Tesouro.
Opositores o responsabilizam por desempenhar um papel na violenta repressão após a reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad em 2009, que provocou um amplo movimento de protesto.
Segundo uma investigação da Bloomberg, Mojtaba Khamenei enriqueceu consideravelmente ao tecer uma extensa rede de empresas de fachada no exterior. No campo religioso, estudou teologia na cidade santa de Qom, ao sul de Teerã, onde também deu aulas.
Alcançou o título de "hojatoleslam", concedido a clérigos de nível intermediário, inferior ao de aiatolá, que era ostentado por seu pai e por Ruhollah Khomeini. No entanto, após sua nomeação como líder supremo, foi apresentado como aiatolá.
Sua esposa, Zahra Adel, filha de um ex-presidente do Parlamento, também morreu nos ataques de 28 de fevereiro que causaram a morte do líder supremo e da esposa dele, segundo autoridades iranianas.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu na semana passada que qualquer sucessor de Ali Khamenei se tornaria "um alvo".
E.Hall--AT