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Esquerda de Petro será uma das principais forças no Congresso da Colômbia
A esquerda do presidente Gustavo Petro aparece como uma das forças dominantes do Congresso da Colômbia em uma disputa acirrada com a direita, que deve marcar o ritmo das campanhas até as eleições presidenciais de 31 de maio.
O Pacto Histórico, partido de Petro, será o mais numeroso no Senado, com mais cadeiras que a principal força opositora de direita, segundo os resultados parciais das eleições legislativas. Na Câmara dos Deputados, a legenda deve permanecer como uma das mais importantes, em um Congresso dividido no qual será necessário estabelecer alianças para conseguir maioria.
Com quase 99% da apuração, a esquerda avança no Congresso como ocorreu em 2022, quando Petro foi eleito o primeiro presidente dessa corrente política na história do país e o primeiro ex-guerrilheiro a chegar ao poder.
As eleições legislativas medem a temperatura na Colômbia antes das eleições presidenciais. Os principais candidatos ao cargo de chefe de Estado são o senador Iván Cepeda, do partido de Petro, e o advogado de direita Abelardo de la Espriella.
"Hoje começa o nosso segundo tempo com uma bancada forte", comemorou Cepeda.
De la Espriella lamentou que a esquerda tenha ficado com "a maior bancada do Congresso". "Isso é muito grave", disse.
As pesquisas projetam um segundo turno em 21 de junho, em um país dividido por mais de meio século de conflito armado.
Dois ataques guerrilheiros no sul do país marcaram a jornada eleitoral. As autoridades informaram que os rebeldes atuaram em dois locais de votação durante a apuração, mas não foram registradas vítimas.
Antes das legislativas, os observadores eleitorais denunciaram vários atos de violência contra líderes políticos, incluindo o assassinato, no ano passado, do candidato à presidência de direita Miguel Uribe.
Os resultados também determinam os últimos cinco meses do mandato de Petro, sem possibilidade de reeleição. Cepeda quer insistir nas reformas que o mandatário não conseguiu concretizar ao perder as maiorias no Congresso perto do fim do seu período.
Os legisladores vetaram a mudança do sistema de saúde e uma reforma tributária para combater o déficit fiscal.
O presidente respondeu com manifestações frequentes da população, nas quais fez discursos fortes contra o Congresso, que perdeu prestígio entre o eleitorado nos últimos anos por vários escândalos de corrupção.
Uma das propostas da esquerda é modificar a Constituição, o que analistas consideram um risco de concentração de poder do presidente.
A esquerda sofreu um golpe ao perder as cadeiras na Câmara que o acordo de paz de 2016 havia assegurado para os ex-combatentes da guerrilha das Farc.
O pacto garantiu 10 cadeiras por oito anos, mas o benefício termina em 2026 e o partido dos ex-combatentes não apenas ficou sem parlamentares, como também está jogando sua sobrevivência por falta de votos.
- A candidata de Uribe -
A direita tem margem para ganhar espaço no novo Congresso, que iniciará a legislatura em 20 de julho, quase três semanas antes da cerimônia de posse do novo presidente.
O ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), o político de direita mais influente do país, disputou as legislativas como candidato do Centro Democrático ao Senado, mas, segundo as projeções, não obteve os votos necessários para conquistar a vaga.
A candidata de seu partido, a senadora Paloma Valencia, venceu no domingo as primárias entre os aspirantes da direita e, assim, enfrentará Cepeda, De la Espriella e outros candidatos na disputa presidencial.
Muito popular por seu intenso combate às guerrilhas, o poderoso ex-mandatário tentará levar um de seus pupilos à presidência, como já ocorreu em pleitos anteriores.
A oposição responsabiliza Petro pelo avanço do narcotráfico e da violência em meio às fracassadas negociações de paz com os grupos armados.
Uribe está de volta ao cenário político depois que um tribunal revogou, em outubro, uma condenação a 12 anos de prisão domiciliar por suborno a paramilitares e fraude processual.
G.P.Martin--AT