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Manifestações do 8-M: 'Não à guerra' nas marchas do Dia da Mulher
Dezenas de milhares de pessoas se mobilizaram neste domingo (8) em todo o mundo para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o 8-M, em manifestações que pediram igualdade e o fim da violência contra as mulheres, e expressaram oposição à guerra no Oriente Médio.
Do Rio de Janeiro a Caracas, Madri e Paris, as manifestações expuseram os desafios em diferentes países relacionados aos direitos das mulheres.
No Rio, uma multidão levou uma faixa com a mensagem "Juntas Somos Gigantes", enquanto na capital venezuelana centenas de pessoas pediram a libertação das prisioneiras políticas.
Em El Salvador, organizações de mulheres e do Movimento de Vítimas do Regime pediram a libertação da advogada Ruth López, uma crítica do governo de Nayib Bukele, considerada pela Anistia Internacional uma prisioneira política.
- Europa -
Na Espanha, milhares de manifestantes foram às ruas. Madri, Barcelona, Valencia, Sevilha, Granada, Bilbao e San Sebastián, entre outras cidades, foram palco de mobilizações.
Em alguns locais, como na capital espanhola, o movimento feminista se manifestou dividido em duas marchas, refletindo as divergências sobre duas questões centrais: o alcance dos direitos das pessoas trans e a legalização ou regulamentação da prostituição.
As duas manifestações em Madri ocorreram no centro da cidade e contaram com a presença de várias ministras.
Alexa Rubio, uma manifestante mexicana de 30 anos que vive na Espanha, enumerou à AFP em Madri os problemas que considera urgentes: "igualdade salarial, o assédio e, no meu país, a violência de gênero, porque estão matando mulheres por serem mulheres".
Ao seu lado, sua compatriota Andrea Ricart lamentou que muitas pessoas sejam "indiferentes" à violência contra as mulheres "porque não aconteceu nada em seu entorno": "Tem que alguém ser morta para que as pessoas se sensibilizem com esses temas."
A segunda vice-presidente do governo espanhol, Yolanda Díaz, pediu às feministas que deem "um passo à frente" contra a guerra conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
"Está em nossas mãos parar a guerra, parar a barbárie e conquistar direitos. Nós nos declaramos em defesa da paz, do povo iraniano e das mulheres iranianas", disse Yolanda.
Entre os lemas exibidos em Madri estavam "Feministas antifascistas contra a guerra imperialista", "Diante da barbárie patriarcal, Feminismo internacionalista" e "Não à guerra".
Embora nas marchas da capital espanhola houvesse muitos homens, na cidade de Santiago de Compostela solicitou-se que apenas mulheres participassem da manifestação.
O chefe de governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, publicou uma mensagem nas redes sociais que continha uma referência indireta ao avanço eleitoral da extrema direita. "Dizemos alto e claro: não vamos permitir que o ódio substitua os direitos, e não vamos normalizar a desigualdade", afirmou.
Na França, dezenas de milhares de pessoas também se manifestaram neste domingo em defesa dos direitos das mulheres, que, segundo organizadores, são ameaçados pelo avanço do conservadorismo.
"Não renunciaremos a nada!", afirmou Gisèle Pelicot, ao discursar para uma multidão em Paris. Ela, que se tornou uma figura internacional da luta contra a violência de gênero, participou do cortejo realizado na capital francesa.
"Tenho muito orgulho de estar com a equipe da Fundação das Mulheres, e muito honrada de estar aqui ao lado da minha mãe, que envia uma verdadeira mensagem de esperança a todas as vítimas da França", disse Caroline Darian, filha de Gisèle.
Mais de 100 organizações, entre associações e sindicatos, convocaram manifestações em cerca de 150 locais da França, incluindo cidades como Bordeaux, Lille e Marselha.
Para Myriam Lebkiri, do sindicato CGT, o 8 de Março é uma ocasião para lutar pela "emancipação das mulheres" e "contra a extrema direita, que semeia racismo, misoginia e homofobia". Cerca de 200 mil pessoas marcharam na França, 130 mil delas em Paris, segundo o sindicato.
Cerca de 20 ativistas do Femen fizeram uma ação em frente à pirâmide do Museu do Louvre, para denunciar "a impunidade, criminalidade e negação total" no caso Epstein.
H.Thompson--AT