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Trump afirma que apenas 'rendição incondicional' do Irã encerrará a guerra
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou nesta sexta-feira (6), quase uma semana após o início do conflito no Oriente Médio, que só uma "rendição incondicional" do Irã porá fim à guerra.
A guerra, desencadeada no sábado após uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica, se estendeu a todo o Oriente Médio devido às retaliações de Teerã.
"Não haverá nenhum acordo com o Irã exceto a RENDIÇÃO INCONDICIONAL!", escreveu Trump nesta sexta em sua plataforma Truth Social.
Em seguida, acrescentou ele, após a escolha de um "líder(es) GRANDIOSO(S) E ACEITÁVEL(IS)", Washington trabalhará com seus aliados "para tirar o Irã da beira da destruição, tornando-o economicamente maior, melhor e mais forte do que nunca".
"MAKE IRAN GREAT AGAIN (MIGA)", escreveu sobre o futuro do país, estabelecendo um paralelo com seu lema MAGA, sigla para "Make America Great Again" (Torne a América Grande Novamente).
Essa guerra arrastou nações além da região, abalou os setores de energia e de transporte do mundo e levou o caos a áreas normalmente pacíficas ao redor do Golfo.
"Todos os ataques ilegais no Oriente Médio e além estão causando um sofrimento e um dano enormes à população civil de toda a região, e representam um grave risco para a economia mundial, especialmente para as pessoas mais vulneráveis", advertiu por sua vez nesta sexta o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
"A situação pode sair do controle. É hora de interromper os combates e iniciar negociações diplomáticas sérias", acrescentou.
- Sexta-feira de oração -
Em Teerã, na tarde desta sexta, ouviram-se novas e potentes explosões, no leste da capital, alvo de ataques frequentes nos últimos dias.
Espessas colunas de fumaça preta se erguiam sobre os edifícios, constataram jornalistas da AFP.
Durante o dia, na primeira sexta-feira de oração desde a morte do aiatolá Ali Khamenei, multidões de homens e mulheres vestidos de preto saíram às ruas, alguns com bandeiras iranianas, outros com retratos do líder supremo falecido no primeiro dia do conflito.
A capital iraniana foi sacudida por fortes explosões, segundo jornalistas da AFP que descreveram os bombardeios do dia como os mais intensos até agora em Teerã.
"A cidade esvaziou, muita gente foi embora", disse à AFP Robert, de 60 anos, um empresário da capital, que cruzou a fronteira entre o Irã e a Armênia. "Ouvem-se explosões [...] pelo menos cinco ou seis vezes por dia."
A agência iraniana Irna registra um balanço de 1.230 mortos desde sábado, cifras que a AFP não pôde verificar.
O exército israelense afirmou que nesta sexta atacou "mais de 400 alvos" no Irã, em várias regiões do país, um número semelhante ao de outros dias.
A resposta do Irã aos ataques israelenses-americanos está afetando seus vizinhos do Golfo, especialmente os que abrigam bases e interesses dos Estados Unidos.
A Arábia Saudita e o Catar anunciaram nesta sexta ter repelido ataques com drones e mísseis contra bases aéreas. No Bahrein, um hotel e vários prédios foram atingidos.
Treze pessoas, entre elas sete civis, morreram nos países do Golfo, incluindo uma menina de 11 anos no Kuwait. Em Israel, 10 pessoas faleceram, de acordo com as autoridades.
- "Catástrofe humanitária" -
No Líbano, arrastado ao conflito quando o grupo pró-iraniano Hezbollah atacou Israel para "vingar" a morte de Khamenei, o balanço dos bombardeios israelenses não para de aumentar: ao menos 217 pessoas morreram e quase 800 ficaram feridas desde segunda-feira, segundo as autoridades.
Imagens da AFPTV mostravam edifícios destruídos e veículos carbonizados no sul da capital libanesa após uma noite de intensos bombardeios contra esse bastião do grupo xiita Hezbollah.
O Hezbollah, por sua vez, continua lançando foguetes contra Israel. Foram 70 nesta sexta, segundo o exército israelense, que por sua vez afirmou ter atacado "500 alvos" no Líbano desde segunda e matado "70 terroristas" do grupo xiita.
De acordo com o Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), cerca de 300 mil pessoas foram forçadas a se deslocar no Líbano desde segunda, uma movimentação em massa que poderia levar a uma "catástrofe humanitária", declarou o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam.
- Investigação sobre ataque a escola -
As organizações internacionais também se perguntam o que ocorreu com o bombardeio de uma escola em Minab, no Irã, no primeiro dia do conflito e que, segundo Teerã, teria causado a morte de 150 pessoas.
Nem os Estados Unidos nem Israel assumiram responsabilidade pelo ataque.
Esses combates abalaram profundamente os mercados econômicos mundiais, enquanto sua duração continua incerta.
O Estreito de Ormuz, no Golfo, por onde normalmente transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito global, segue intransitável desde que a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter seu controle "total" na quarta-feira.
burs/phs/roc/arm/cr/jvb/arm/hgs/es/meb/ic/am
A.Anderson--AT