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Israel anuncia mais ataques contra Teerã em 'nova fase' da guerra
O Exército de Israel lançou nesta sexta-feira (6) uma série de ataques "em larga escala" contra Teerã como parte de uma "nova fase" da guerra contra o Irã, que também se estendeu ao Líbano com fortes bombardeios sobre Beirute.
O conflito, desencadeado no fim de semana por uma ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, foi ampliado para todo o Oriente Médio devido às represálias da República Islâmica.
A imprensa iraniana, incluindo a televisão estatal Irib, informou na manhã de sexta-feira uma série de explosões em vários bairros da capital.
As Forças Armadas israelenses anunciaram que o alvo era "a infraestrutura do regime terrorista iraniano em Teerã".
As autoridades iranianas também relataram ataques com mísseis em Shiraz, no sul do país, que deixaram pelo menos 20 mortos, um balanço que a AFP não tem condições de verificar com fontes independentes.
"Vinte cidadãos inocentes foram martirizados e 30 ficaram feridos no ataque terrorista", declarou Khalil Hasani, vice-governador da província de Fars, citado pela agência oficial Irna.
Hasani disse que o ataque aconteceu em uma "área residencial de Ziba Shahr", um bairro da periferia de Shiraz.
No Líbano, os subúrbios do sul da capital, Beirute, também foram bombardeados nesta sexta-feira por Israel, informou a agência estatal de notícias Ani, que não mencionou vítimas.
A guerra provocou um grande impacto nos mercados econômicos mundiais, enquanto a duração permanece incerta.
"Estamos apenas no começo dos combates", afirmou na quinta-feira o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, antes de destacar que Washington dispõe de munição suficiente para seguir com a campanha "pelo tempo que for necessário".
O presidente Donald Trump declarou ao canal NBC News que enviar tropas terrestres ao Irã seria "uma perda de tempo", já que os iranianos "perderam tudo".
- Sem cessar-fogo ou negociações -
O comandante do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, anunciou na quinta-feira que a guerra entrou em uma "nova fase".
"Após a execução bem sucedida da etapa do ataque surpresa, durante a qual estabelecemos nossa superioridade aérea e neutralizamos a rede de mísseis balísticos, passamos agora à próxima fase da operação", declarou.
Zamir reiterou que Israel prosseguirá com o "desmantelamento do regime" iraniano e de suas capacidades militares e que o Estado hebreu ainda tem "mais surpresas reservadas" contra Teerã.
Na quinta-feira, Trump exigiu "participar" na definição do sucessor do aiatolá Ali Khamenei, que morreu no primeiro dia de bombardeios de seu país e de Israel contra o Irã. Ele afirmou que o filho do líder supremo não era "aceitável" em sua opinião para dirigir o país.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, declarou ao canal americano NBC que seu país não buscava um "cessar-fogo, nem negociações".
No sétimo dia de guerra, o Irã parece conservar a capacidade ofensiva.
Arábia Saudita e Catar anunciaram na manhã de sexta-feira que impediram ataques com drones e mísseis contra bases aéreas. No Bahrein, um hotel e vários prédios residenciais foram atingidos.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou uma nova salva de projéteis contra Tel Aviv, onde foram ouvidas explosões na noite de quinta-feira, sem o relato de vítimas.
O grupo pró-iraniano Hezbollah, contra o qual Israel conduz uma ampla ofensiva no Líbano, também informou que lançou foguetes e artilharia em direção ao território israelense.
O Exército do Estado hebreu recebeu na véspera a ordem de avançar mais profundamente no sul do Líbano para ampliar sua zona de controle na fronteira, segundo o general Zamir.
- Pânico em Beirute -
Na quinta-feira, o pânico já havia dominado a cidade de Beirute, após uma advertência sem precedentes de Israel para a retirada dos moradores dos subúrbios do sul da capital. Engarrafamentos foram observados neste reduto do Hezbollah, onde vivem centenas de milhares de pessoas.
Durante a noite, a área foi alvo de ataques, um deles "muito violento", segundo a agência Ani.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 123 pessoas morreram e 683 ficaram feridas desde segunda-feira.
No Irã, a agência Irna anunciou um balanço de 1.230 mortos desde sábado, número que a AFP não tem condições de verificar.
Em Israel, o conflito deixou pelo menos 10 mortos, segundo as autoridades.
Na frente de batalha naval, as autoridades dos Estados Unidos afirmaram que afundaram 30 navios iranianos desde o início da guerra.
Mas o Estreito de Ormuz, crucial no Golfo Pérsico e por onde normalmente transitam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial, continua, de fato, intransitável.
Em outra via estratégica, o Mar Vermelho, os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, afirmaram que têm "o dedo no gatilho" e que estão "preparados para responder a qualquer momento".
burs/phs/roc/arm/cr/jvb/arm/fp
K.Hill--AT