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Petro mede forças em legislativas da Colômbia diante do ressurgido ex-presidente Uribe
A ala esquerda do presidente Gustavo Petro mede forças, no domingo (8), nas eleições legislativas da Colômbia, diante de uma direita que busca recuperar terreno com o retorno ao cenário político do popular líder Álvaro Uribe após sua absolvição judicial.
As eleições são um prelúdio da presidencial de maio, na qual o governo busca repetir o milagre que levou a esquerda ao poder pela primeira vez há quatro anos.
Marcado por mais de meio século de conflito armado, o país chega dividido à eleição que renovará o Congresso.
Petro iniciou seu mandato em 2022 com o respaldo majoritário do Congresso, mas foi perdendo apoio e algumas de suas ambiciosas reformas, como a fiscal e a da saúde, ficaram sem sustentação.
A direita aponta para somar assentos nas duas câmaras após o retrocesso que sofreu no período anterior quando o partido do ex-presidente Uribe (2002-2010), o Centro Democrático, passou de 51 para 30 assentos.
Desta vez o próprio Uribe competirá pelo Senado, após um tribunal revogar, em outubro, uma condenação contra ele de 12 anos de prisão domiciliar por suborno a paramilitares e fraude processual.
O dirigente de 73 anos está na 25ª posição de uma lista fechada e espera uma votação história para garantir um assento no legislativo.
Por sua vez, a coalizão Pacto Histórico, liderada por Petro, tenta manter seus 48 assentos no Congresso, onde atualmente é a maior força política.
"A tensão é entre os dois maiores animais políticos" do país, que são Petro e Uribe, diz Mauricio Reyes, professor de Ciências Políticas da Universidade Nacional, à AFP.
Tiktokers, cantores, campanhas feitas com inteligência artificial e dezenas de partidos animam a disputa que será decidida nas urnas no domingo, entre 8h e 16h no horário local (10h-18h no horário de Brasília).
- Apelar à nostalgia -
Mais de 40 milhões de pessoas estão habilitadas para escolher o parlamento de 285 assentos.
As legislativas já agitavam as campanhas para a presidencial de 31 de maio, na qual se prevê uma decisão em segundo turno sobre o sucessor de Petro, que não tem possibilidade de reeleição.
As pesquisas mostram uma disputa acirrada entre o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro, e o outsider de direita Abelardo de la Espriella, um advogado milionário com propostas conservadoras.
O jurista tem seu próprio movimento político, à margem de Uribe, com quem afirma manter uma "grande amizade". Caso não conte com apoio do Congresso, diz que governará por meio de decretos.
Uribe, famoso por combater as guerrilhas durante seus governos, renunciou ao Senado em 2018 em meio aos seus problemas com a Justiça, após obter a maior votação da história em legislativas.
Estas eleições acontecem em um clima de tensão devido ao agravamento da violência no país após o acordo de paz om a guerrilha Farc em 2016.
Em agosto, o senador Miguel Uribe -sem parentesco com o ex-presidente- faleceu após ser atacado a tiros. O candidato do Centro Democrático, de 39 anos, concorria a vaga deixada por Petro.
A organização civil Missão de Observação Eleitoral (MOE) estima que um terço do território colombiano está sob ameaça de violência durantes estas eleições.
A direita propõe fortalecer políticas rígidas de segurança, após Petro tentar, sem sucesso, negociar com os grupos criminosos que se fortaleceram durante seu governo.
Com Uribe, o Centro Democrático está "apelando aos sentimentos de uma parte do eleitorado" nostálgica de sua campanha antiguerrilhas, comenta Patricia Muñoz, professora da Universidade Javeriana.
Também pretendem fazer contraponto à proposta de Petro de modificar a Constituição, uma intenção respaldada por Cepeda que precisa ser aprovada pelo Congresso.
Petro denunciou uma "possível fraude" nestas eleições, algo que as autoridades eleitorais e observadores rejeitam.
E.Flores--AT