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Trump recebe chefe do governo alemão, primeiro convidado desde início da guerra no Irã
O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, chegou à Casa Branca nesta terça-feira (3), sendo o primeiro dirigente estrangeiro a se reunir com Donald Trump desde o início da guerra no Irã.
Este encontro, previsto há muito tempo, deveria centrar-se inicialmente nas tarifas e na guerra na Ucrânia.
A reunião já se previa complicada devido às tensões entre os europeus e o presidente americano. Mas tornou-se ainda mais espinhosa com a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
"A maioria das pessoas em quem pensávamos morreu (...) Agora temos outro grupo (de dirigentes). Pode ser que também estejam mortos, segundo relatos", disse o presidente dos Estados Unidos durante a reunião na Casa Branca.
O mandatário afirmou, ainda, que o Irã ia atacar primeiro, contradizendo a versão de seu chefe da diplomacia, Marco Rubio, que afirmou na véspera que Israel desencadeou a guerra.
"Acredito que iam atacar primeiro e eu não queria que isto acontecesse. Sendo assim, de certo modo, pode ser que eu tenha forçado a mão com Israel", declarou.
No domingo, Merz disse que a Alemanha não daria "lições" sobre a legalidade dessa operação, invocando a recusa de Teerã em renunciar aos seus programas nuclear e balístico.
Nesta terça-feira, declarou que a guerra "prejudica nossas economias", citando preocupações com o preço do petróleo e do gás, e afirmando que espera que o conflito "chegue ao fim o mais rápido possível".
O chefe do governo alemão mostrou-se disposto a tomar "ações defensivas necessárias e proporcionais" para destruir as capacidades militares de Teerã diante das represálias iranianas em toda a região, em um comunicado assinado com o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
A Alemanha ressaltou, no entanto, que tratava-se unicamente de garantir a "proteção" de seus soldados na região.
O chanceler alemão também se absteve de condenar o ataque que matou o aiatolá Ali Khamenei, afirmando compartilhar o "alívio" dos iranianos ao ver "o regime dos mulás chegar ao fim".
Em junho de 2025, Merz havia aprovado "o trabalho sujo que Israel faz por todos nós", apoiando os ataques contra instalações estratégicas iranianas, declarações polêmicas tanto na Alemanha quanto no exterior.
Sua primeira visita a Trump, naquele momento, transcorreu bem, e a relação entre o conservador de aparência austera e o bilionário de temperamento explosivo é considerada cordial.
Resta saber como o mandatário republicano reagirá, depois que Macron anunciou um acordo entre oito países europeus, incluindo a Alemanha, para "reforçar sua cooperação em matéria de dissuasão" nuclear.
Por ora, a Alemanha tem contado essencialmente com a proteção militar dos Estados Unidos através da Otan.
"Essa cooperação franco-alemã virá complementar, e não substituir, a dissuasão nuclear da Otan e os acordos de partilha nuclear da Otan, para os quais a Alemanha contribui e continuará contribuindo", ressaltaram Washington e Berlim em seu comunicado conjunto.
O chanceler alemão apresentará uma "posição europeia comum" no aspecto comercial.
A maior economia europeia espera "esclarecimentos" sobre o protecionismo de Washington, após a anulação, por parte da Suprema Corte, de grande parte das tarifas de Trump, que desde então definiu novas taxações mundiais.
mt-clp-aue-lb/bpe/gma/mar/yr/am
P.Hernandez--AT