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Guerra no Irã se espalha e arrasta Oriente Médio para crise
O presidente Donald Trump disse nesta segunda-feira (2) que contempla uma guerra prolongada contra o Irã, enquanto o conflito se ampliava em várias frentes, com novos ataques dos Estados Unidos e de Israel, e Teerã respondendo no Golfo.
No terceiro dia de guerra, os dois lados mostraram determinação em continuar as hostilidades, e os países do Golfo ameaçaram responder à "agressão" iraniana.
Os Guardiões da Revolução, braço armado ideológico do Irã, reivindicaram a autoria do ataque a um petroleiro no Estreito de Ormuz, e voltaram a mirar nos países da região que abrigam bases militares americanas.
Um general iraniano ameaçou hoje "incendiar qualquer embarcação" que tentar cruzar o estreito, uma via estratégica para o comércio global de petróleo, fechada de fato devido à guerra no Oriente Médio.
"Vários dias" de conflito se aproximam, alertou Israel. Já Trump apostou em "quatro a cinco semanas", mas afirmou que os Estados Unidos podem "ir bem mais além", se necessário.
O Exército israelense estendeu suas operações ao Líbano, com bombardeios em massa em resposta a um ataque do movimento islamita Hezbollah em apoio a Teerã. Também informou que ataca alvos do Hezbollah em Beirute.
Na madrugada desta terça-feira (3), Israel anunciou que atingiu a sede da rádio e TV pública iraniana (Irib) no norte de Teerã. Explosões foram ouvidas em vários bairros da capital.
"Estão agindo com muita força hoje. A cada duas ou três horas, e dura cerca de meia hora. As janelas tremem. Quase todo mundo está com medo", disse à AFP Elnaz, 39, que vive em Teerã.
- Opções sobre a mesa -
O governo do Líbano proibiu nesta segunda-feira as atividades militares do Hezbollah, após ataques do movimento pró-Irã arrastarem o país para a guerra regional.
À noite, o Exército de Israel afirmou que "todas as opções" estavam sobre a mesa, ao ser questionado sobre a possibilidade de um ataque terrestre contra o Hezbollah. As Forças Armadas israelenses recomendaram a evacuação de moradores de cerca de 30 vilarejos no sul do Líbano.
Enquanto isso, o Irã continuou lançando mísseis e drones contra Israel, que prorrogou até sábado o fechamento de escolas e escritórios e a proibição de reuniões. Explosões também foram ouvidas em Jerusalém.
Segundo os Guardiões da Revolução, o Irã atacou "60 alvos estratégicos e 500 alvos militares" americanos e israelenses desde sábado, incluindo os gabinetes do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O Catar derrubou dois bombardeiros procedentes do Irã, após ataques com drones contra instalações da empresa Qatar Energy, que suspendeu sua produção de gás natural liquefeito (GNL).
O Kuwait foi um dos países mais afetados. Três caças americanos que caíram em seu território foram derrubados por engano por sua defesa, informou o Exército dos Estados Unidos.
Em Abu Dhabi, um incêndio foi declarado em um depósito de combustíveis atingido por um drone. Também houve explosões em Arábia Saudita, Barein e Emirados Árabes, onde o aeroporto de Dubai suspendeu todos os voos.
O conflito se estende ao Chipre, país da União Europeia mais próximo do Oriente Médio, onde uma base britânica foi alvo de três drones lançados do Líbano. Um deles atingiu uma pista, provocando evacuações no sul da ilha.
- Mercados -
Diante da extensão do conflito, a preocupação chegou aos mercados financeiros e fez subir os preços do petróleo e do dólar. As bolsas internacionais registraram prejuízo, mas não cederam ao pânico.
Apesar da morte de vários funcionários iranianos, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, descartou qualquer negociação com Washington, e afirmou que seu país lutará, "custe o que custar", para "defender ferozmente" sua "civilização de 6.000 anos".
O presidente americano afirmou que não hesitará em enviar tropas terrestres, se necessário. Seis militares americanos morreram na guerra desde sábado, informou o Exército.
Após o anúncio da morte de Ali Khamenei, o governo iraniano convocou a população a se reunir na noite desta segunda-feira em Teerã para homenageá-lo. Segundo imagens exibidas pela TV iraniana, houve concentrações em várias cidades.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os Estados Unidos "gostariam" de ver o povo iraniano derrubar o governo, mas ressaltou que este não era "o objetivo" da guerra.
Rubio explicou que os Estados Unidos atacaram o Irã "preventivamente" no sábado, após tomarem conhecimento de que Israel lançaria um ataque, o que significaria uma retaliação contra as forças americanas. "Sabíamos que, se não fossemos atrás deles de forma preventiva, sofreríamos um número maior de baixas."
J.Gomez--AT