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EUA sofre primeiras baixas e Irã multiplica suas represálias
O Pentágono anunciou, neste domingo (1º), a morte de três militares, enquanto o Irã segue multiplicando suas represálias no Golfo e em Israel pela morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
O Irã voltou a atacar os países do Golfo neste domingo, após jurar vingar a morte de Khamenei, em um claro desafio ao presidente americano Donald Trump, que ameaçou Teerã com ataques sem precedentes se as represálias continuarem.
"Estamos nos defendendo, custe o que custar, e não vemos nenhum limite para nós na hora de defender o nosso povo" deste "ato de agressão", afirmou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi.
Donald Trump, que tem defendido uma mudança de regime, disse que, na operação com Israel iniciada no sábado, "48 líderes [iranianos] desapareceram com um único golpe".
O republicano acrescentou que "vai conversar" com os líderes iranianos, mas não especificou quando nem com quem exatamente. Além de Khamenei, morreram o chefe da Guarda Revolucionária, o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior.
Israel, por sua vez, anunciou a mobilização de 100.000 reservistas para a ofensiva contra o Irã, e a aviação intensificará suas operações em Teerã, segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
No oeste do Irã, perto da fronteira com o Iraque, um veículo de imprensa estatal reportou a morte de 43 membros das forças de segurança, agentes fronteiriços em sua maioria.
Na capital Teerã, a televisão estatal afirmou ter sido alvo de bombardeios, e vários meios de comunicação também reportaram um bombardeio ao hospital Gandhi. O Exército israelense afirmou que desferiu um "duro golpe" aos centros de comando e controle do Irã neste domingo.
A república islâmica está em uma situação delicada desde a repressão brutal dos protestos antigovernamentais em dezembro e janeiro que resultou em milhares de mortes. À época, Trump ameaçou atacar, mas se conteve até este sábado.
Washington também acusa Teerã de não ceder às exigências para alcançar um acordo sobre seu programa nuclear e balístico.
- Baixas americanas -
Em resposta à operação iniciada no sábado, o Irã tem lançado ataques contra vários países vizinhos, particularmente aqueles que abrigam bases americanas, e contra Israel.
Nove pessoas morreram e 11 estão desaparecidas em Bet Shemesh, no centro de Israel, quando um prédio desmoronou pelo "impacto direto" de um míssil iraniano, anunciaram socorristas. No sábado, uma mulher morreu em Tel Aviv.
Os Estados Unidos, por sua vez, sofreram suas primeiras baixas: três militares, dos quais o Comando Central para o Oriente Médio (Centcom) não forneceu as identidades, nem informou o local onde morreram.
A Otan informou que está ajustando suas forças na Europa para contrapor possíveis ameaças de "mísseis balísticos" ou drones que pudessem vir do Oriente Médio.
- Golfo em chamas -
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, assegurou ter lançado um ataque "em larga escala" contra "o inimigo". Um funcionário iraniano informou que as bases americanas dos países do Golfo são consideradas alvos, mas não seus territórios.
Jornalistas da AFP ouviram novas explosões em Dubai, Doha, Riade e Manama. O Kuwait reportou uma morte e mais de 30 feridos.
Nos Emirados Árabes Unidos, três pessoas morreram e 58 ficaram feridas desde o sábado.
Omã, mediador das negociações retomadas em fevereiro entre Irã e Estados Unidos, foi atacado pela primeira vez neste domingo.
Além disso, três navios foram atacados no Estreito de Ormuz, porta de entrada do Golfo, que a Guarda Revolucionária iraniana declarou fechado "de fato", segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO.
Por ali transita 20% do petróleo consumido em nível mundial. Para tentar acalmar o mercado e conter uma escalada dos preços, Arábia Saudita, Rússia e outros seis membros da Opep+ aumentaram, neste domingo, suas cotas de produção de petróleo em 206.000 barris diários para o mês de abril.
- Um triunvirato no comando -
O anúncio da morte de Khamenei, de 86 anos, a quem Trump definiu como "uma das pessoas mais perversas da história", foi recebido com comemoração por alguns iranianos, mas quando ocorreu a confirmação, houve manifestações a favor do governo. "Morte aos Estados Unidos!", repetiam em coro os manifestantes.
O país está nas mãos de um triunvirato composto pelo presidente Pezeshkian; o chefe do poder judiciário, Gholam-Hossein Mohseni- Eje'i, e Alireza Arafi, líder religioso, membro da Assembleia de Especialistas e do Conselho da Guarda Revolucionária.
Reza Pahlavi, filho do xá falecido, um líder pró-ocidental deposto pela revolução islâmica em 1979, avaliou que qualquer sucessor procedente do sistema é ilegítimo.
Pahlavi, que passou a maior parte de sua vida no exílio perto de Washington, se apresentou como uma figura de transição, mas não conta com o apoio de toda a oposição.
Os ataques também provocaram a maior perturbação no transporte aéreo desde a pandemia de covid-19, com milhares de voos com destino ao Oriente Médio adiados ou cancelados.
A empresa de navegação dinamarquesa Maersk suspendeu a passagem de seus navios pelo Estreito de Ormuz "até novo aviso". E a empresa ítalo-suíça MSC, líder mundial do setor, ordenou neste domingo que todos os seus navios no Golfo permaneçam em segurança e suspendeu o transporte de carga para o Oriente Médio.
burs/dc/vl/erl-avl/an/mvv/rpr
F.Ramirez--AT