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Paquistão bombardeia Afeganistão em 'guerra aberta' contra governo talibã
O Paquistão bombardeou nesta sexta-feira (27) várias cidades do Afeganistão, incluindo a capital, Cabul, e declarou "guerra aberta" ao país vizinho, em uma escalada militar após dias de confrontos.
"Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é uma guerra aberta entre nós e vocês", afirmou o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, na rede social X.
Islamabad, que lançou os ataques em resposta a uma ofensiva afegã na noite anterior, afirmou que 29 localidades foram "alvo de bombardeios".
Durante a manhã, jornalistas da AFP ouviram explosões e viram caças sobrevoarem Cabul e Kandahar, grande cidade do sul do Afeganistão, país governado pelos talibãs desde que eles retornaram ao poder em 2021.
As relações historicamente cordiais entre os países vizinhos sofreram um abalo nos últimos meses, com confrontos esporádicos. O Paquistão, uma potência nuclear, acusa as autoridades talibãs de oferecerem cobertura a militantes armados que lançam ataques contra seu território, o que o governo do Afeganistão nega.
Em resposta ao forte aumento das hostilidades, o Reino Unido, as Nações Unidas e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha pediram uma desescalada imediata. Diplomatas de China, Arábia Saudita e Catar também começaram a trabalhar para aliviar a tensão.
Já os Estados Unidos expressaram "apoio ao direito do Paquistão de se defender de ataques dos talibãs", publicou no X Allison Hooker, subsecretária de Estado para Assuntos Políticos.
A operação foi o maior bombardeio do Paquistão contra o Afeganistão desde que o movimento talibã voltou ao poder. Ela foi lançada depois que forças afegãs dispararam contra tropas fronteiriças do Paquistão, em resposta a ataques aéreos anteriores de Islamabad. Ambos os lados afirmaram que causaram baixas importantes.
- Baixas -
O porta-voz do governo talibã Zabihullah Mujahid disse que as forças afegãs mataram 55 soldados paquistaneses e capturaram vários outros, enquanto o número de mortos entre as tropas afegãs chegou a 13. Já o porta-voz paquistanês afirmou que 297 militantes talibãs e afegãos foram mortos.
Antes, Islamabad havia informado que 12 soldados paquistaneses morreram. Outro porta-voz do governo afegão relatou 19 mortes de civis nas províncias de Khost e Paktia.
Os números de vítimas declarados pelos dois lados são difíceis de verificar de forma independente.
Perto do posto fronteiriço de Torkham, um jornalista da AFP ouviu bombardeios durante a manhã, e um acampamento de afegãos que haviam retornado do Paquistão foi atingido pelos combates durante a noite.
"Crianças, mulheres e idosos corriam", descreveu à AFP Gander Khan, 65, em frente às tendas do acampamento de Omari. Já o repatriado Zarghon, 44, que revelou apenas seu primeiro nome, disse que duas ou três crianças desapareceram em meio ao pânico.
- Diálogo -
A relação entre os dois vizinhos se deteriorou nos últimos meses, com os postos fronteiriços praticamente fechados desde que combates deixaram mais de 70 mortos dos dois lados em outubro.
Hoje, após o Paquistão declarar "confronto total", um porta-voz do governo talibã disse que o Afeganistão queria um diálogo: "Insistimos repetidamente em uma solução pacífica e continuamos desejando que o problema seja resolvido por meio do diálogo."
Irã e China se apresentaram como possíveis mediadores. O Ministério das Relações Exteriores iraniano pediu que os dois países evitem ações que agravem o conflito, e Pequim fez um apelo por calma.
A ofensiva de ontem das forças afegãs ocorreu após os ataques aéreos paquistaneses do último fim de semana contra as províncias de Nangarhar e Paktia. Segundo a missão da ONU no Afeganistão, eles causaram a morte de 13 civis.
Após um cessar-fogo inicial negociado pelo Catar e pela Turquia, várias rodadas de conversações foram organizadas, mas um acordo duradouro não foi alcançado.
O EI Khorasan, considerado um dos braços mais ativos da organização Estado Islâmico, atua nos dois países.
Quando retornou ao poder no Afeganistão, o movimento talibã impôs uma interpretação rigorosa da lei islâmica, o que priva as mulheres e as meninas do direito à educação e ao mercado de trabalho.
burs-je/ksb/hmn/arm-erl/dbh/fp/aa/ic/mvv-lb
A.Anderson--AT