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Cuba diz que EUA está disposto a 'cooperar' em investigação sobre lancha interceptada
Havana afirmou nesta quinta-feira (26) que Washington está disposta a colaborar na investigação sobre o enfrentamento entre guarda-costeiros cubanos e uma lancha proveniente dos Estados Unidos que deixou quatro mortos, e ressaltou que vai se defender de qualquer "agressão terrorista".
Cuba denunciou na quarta-feira que dez pessoas armadas foram interceptadas em suas águas territoriais quando tentavam se infiltrar na ilha "com fins terroristas", em um contexto de tensão crescente com os Estados Unidos.
"As autoridades do governo americano se mostraram dispostas a cooperar para esclarecer esses fatos lamentáveis", declarou à imprensa o vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossío.
Nesse sentido, detalhou que Havana "manteve contato com [...] o Departamento de Estado e o Serviço da Guarda Costeira" dos Estados Unidos.
Mais cedo, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel garantiu que a ilha se defenderia diante de qualquer agressão.
"Cuba se defenderá com determinação e firmeza diante de qualquer agressão terrorista e mercenária que pretenda afetar sua soberania e estabilidade nacional", escreveu Díaz-Canel no X.
Além dos quatro mortos, outros seis ocupantes da lancha com matrícula americana ficaram feridos após terem sido interceptados por guardas fronteiriços cubanos a uma milha náutica de Cayo Falcones, na província de Villa Clara (centro).
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, disse na quarta-feira que os Estados Unidos investigam esses fatos, nos quais descartou qualquer envolvimento de Washington.
- Dois cidadãos americanos -
As tensões entre Washington e Havana se intensificaram nas últimas semanas em meio ao embargo petrolífero imposto pelo presidente Donald Trump.
Segundo as autoridades cubanas, o grupo a bordo da lancha tinha em seu poder fuzis de assalto, armas curtas, artefatos explosivos de fabricação caseira, coletes à prova de balas e roupas de camuflagem.
De Cossío divulgou uma lista com os dez tripulantes da embarcação.
Segundo Havana, todos são "cubanos residentes nos Estados Unidos", vários com antecedentes criminais, incluídos dois procurados por suposto vínculo com "atos de terrorismo", que ficaram feridos. Ademais, foi preso na ilha outro cubano vindo do território americano para apoiar a operação, que confessou "suas ações".
Dessas duas pessoas, "uma faleceu e a outra está ferida", detalhou a fonte sob anonimato, e acrescentou que "o proprietário da embarcação declarou que esta tinha sido roubada por um funcionário".
- Acender 'a faísca' -
Michel Ortega Casanova, um dos quatro falecidos, queria "ir lutar" em Cuba e ver "se isso acenderia a faísca e o povo se rebelaria", disse nesta quinta-feira à AFP Wilfredo Beyra, um companheiro de militância política de Ortega.
O objetivo de Ortega "era lutar contra uma narcotirania criminosa e assassina, ver se isso acenderia a faísca e o povo se rebelaria e os apoiaria", acrescentou por telefone Beyra, responsável em Tampa do Partido Republicano de Cuba, uma organização opositora com sede na Flórida à qual pertencia o falecido.
Segundo Beyra, há vários grupos na Flórida que "manifestam abertamente que estão dispostos [...] a lutar pela liberdade de sua pátria".
As infiltrações de comandos armados a partir do sul da Flórida para realizar atentados em Cuba foram frequentes nas primeiras décadas após o triunfo da revolução em 1959, assim como o sequestro de pescadores cubanos e atentados contra diplomatas e sedes diplomáticas da ilha no exterior.
Washington não esconde o seu desejo de ver uma mudança de regime em Cuba e aplica uma política de máxima pressão, invocando a "ameaça excepcional" que a ilha representaria para a segurança nacional, situada a apenas 150 km do litoral da Flórida.
O coordenador da ONU em Cuba, Francisco Pichón, alertou nesta quinta sobre a crise humanitária que "se agrava a cada dia" na ilha.
"O que estamos vendo sobre o terreno não é uma escassez temporária, mas sim um choque energético mais sistêmico que está se tornando o principal fator de multiplicação dos riscos humanitários", advertiu Pichón.
W.Moreno--AT