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Irã afirma que acordo com os EUA está 'ao alcance da mão'
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou nesta terça-feira (24) que um acordo com os Estados Unidos sobre o programa nuclear de Teerã está "ao alcance da mão" antes das conversas desta semana em Genebra.
Ao mesmo tempo, o governo iraniano advertiu os estudantes que voltaram a se manifestar de que existem "limites", após a sangrenta repressão dos protestos de janeiro.
"Temos uma oportunidade histórica de alcançar um acordo sem precedentes que aborde as preocupações de ambas as partes e os interesses mútuos", disse Araghchi em uma publicação na rede X.
O ministro iraniano afirmou que chegar a um entendimento está "ao alcance da mão, mas somente se a diplomacia for priorizada".
Irã e Estados Unidos realizarão na quinta-feira um terceiro ciclo de conversas sobre o programa nuclear em Genebra, com a mediação de Omã.
O diálogo é marcado pelo envio de forças militares dos Estados Unidos ao Oriente Médio nas últimas semanas e pelas ameaças do presidente Donald Trump de lançar um ataque caso não se alcance um acordo.
O Irã afirmou repetidamente que responderá com força diante de qualquer hostilidade, e o Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou na segunda-feira que qualquer ataque, mesmo limitado, "será considerado um ato de agressão".
Na publicação, Araghchi afirmou que o Irã "sob nenhuma circunstância desenvolverá uma arma nuclear", mas insistiu que o país tem o direito de se beneficiar da tecnologia nuclear para fins civis.
"Demonstramos que não recuaremos diante de nada para defender nossa soberania com coragem", acrescentou.
Washington e Teerã participaram de cinco rodadas de conversas sobre o programa nuclear iraniano, mas elas foram interrompidas pelo ataque de Israel contra a república islâmica em junho, que desencadeou uma guerra de doze dias.
Os Estados Unidos intervieram nesse conflito, bombardeando instalações nucleares iranianas.
- "Limites" -
Por outro lado, os estudantes iranianos começaram no sábado um novo semestre com manifestações a favor e contra o governo, segundo a imprensa local.
Nesta terça-feira, no quarto dia consecutivo de protestos estudantis no campus, dois grupos se enfrentaram em um grande saguão de uma universidade de Teerã, segundo vídeos autenticados pela AFP.
Na véspera, de acordo com vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pela AFP, estudantes de uma universidade de Teerã queimaram a bandeira da república islâmica, adotada após a revolução de 1979 que derrubou a monarquia.
Em sua primeira reação a esses protestos, a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmou nesta terça-feira que os alunos "têm, naturalmente, o direito de se manifestar".
Mas há "limites que devemos proteger e não ultrapassar nem nos desviar deles, nem mesmo no momento mais intenso da indignação", ponderou a porta-voz, citando que há "coisas sagradas" como "a bandeira" da república islâmica.
Essas manifestações abalam um país ainda impactado pelas consequências dos protestos do início do ano.
As marchas começaram no fim de dezembro com manifestações contra a crise econômica em um país duramente afetado pelas sanções, mas evoluíram para um movimento mais amplo contra o poder, até serem violentamente reprimidas.
- "As prisões continuam" -
A organização sediada nos Estados Unidos Human Rights Activists News Agency (HRANA) estimou que mais de 7 mil pessoas morreram na repressão desses protestos. No entanto, a ONG advertiu que o número real provavelmente é muito mais alto.
As autoridades iranianas informaram mais de 3 mil mortes, mas afirmam que a violência foi causada por "atos terroristas" incentivados pelos Estados Unidos e por Israel.
"As autoridades continuam aterrorizando a população", afirmou Bahar Saba, pesquisadora da ONG Human Rights Watch, em um relatório publicado nesta terça-feira.
"As prisões continuam e os detidos enfrentam tortura, confissões forçadas e execuções secretas, sumárias e arbitrárias".
A repressão aos protestos de janeiro levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ameaçar bombardear novamente o Irã.
Trump ordenou o envio à região de um aparato militar e naval, enviando ao Oriente Médio o porta-aviões Abraham Lincoln. Ele será seguido pelo Gerald R. Ford, que está atualmente em uma base em Creta, na Grécia.
É incomum que dois navios desse tipo, que transportam dezenas de aviões de combate e são tripulados por milhares de militares, estejam ao mesmo tempo em uma mesma região.
Diante das "ameaças existentes", a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, iniciou manobras militares nas costas do Golfo.
M.Robinson--AT