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Zelensky diz que Putin 'não alcançou seus objetivos' de guerra na Ucrânia
O presidente russo Vladimir Putin "não alcançou seus objetivos" de guerra, nem "quebrou os ucranianos", declarou nesta terça-feira (24) o presidente Volodimir Zelensky, dia em que a invasão da Rússia ao território da Ucrânia completa quatro anos.
A Ucrânia marca a data com uma demonstração de solidariedade de seus aliados, mas sem vislumbrar o fim do conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
"Putin não alcançou seus objetivos. Não quebrou os ucranianos. Não venceu esta guerra. Preservamos a Ucrânia e faremos tudo o que for possível para conseguir a paz e para que se faça justiça", declarou Zelensky em uma mensagem em vídeo.
O presidente ucraniano acrescentou que seu país está preparado para fazer "tudo" o que for possível para garantir uma paz sólida e duradoura.
Centenas de milhares de pessoas morreram desde que o Kremlin enviou tropas ao território da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, confiante em uma vitória rápida e sem esperar a intensa resistência que encontraria de Kiev.
O impacto mundial do conflito é imenso, com um aumento dos gastos em defesa em vários países europeus, em antecipação a um possível confronto com a Rússia.
As negociações entre os dois países, retomadas no ano passado por iniciativa dos Estados Unidos, não conseguiram interromper os combates, que destruíram cidades inteiras e forçaram milhões de ucranianos a fugir do país.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegou nesta terça-feira à capital ucraniana.
Em um vídeo, ela resumiu o objetivo da visita: "Ressaltar nosso compromisso duradouro com a luta justa da Ucrânia" e enviar "uma mensagem clara, tanto ao povo ucraniano quanto ao agressor: não vamos ceder até que a paz seja restaurada. Paz nos termos da Ucrânia".
Von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, participarão de uma reunião por videoconferência com os aliados da Ucrânia, a chamada "Coalizão de Voluntários", que inclui Alemanha, França e Reino Unido.
- Impasse nas negociações -
A Rússia, que ocupa quase 20% do território ucraniano, bombardeia diariamente áreas civis e infraestruturas, o que provocou a pior crise energética no país desde o início da invasão, agravada por um inverno (hemisfério norte) rigoroso.
Os aliados ocidentais de Kiev adotaram sanções fortes contra Moscou, o que obrigou a Rússia a redirecionar suas exportações de petróleo para novos mercados, sobretudo na Ásia.
Apesar do impacto das sanções, as tropas russas avançaram lentamente nos últimos meses, em particular na região leste do Donbass, epicentro de combates violentos e que Moscou deseja anexar.
Ao mesmo tempo, as negociações continuam sob mediação dos Estados Unidos.
Zelensky insiste em suas exigências de garantias de segurança por parte de Washington antes de assinar qualquer acordo com Moscou.
A Rússia rejeitou as propostas de Kiev sobre o envio de forças europeias à Ucrânia após um eventual acordo de cessar-fogo.
O presidente russo advertiu que alcançará seus objetivos pela força, caso a diplomacia fracasse.
- Reconstrução -
A guerra de quatro anos devastou a Ucrânia, que já era um dos países mais pobres da Europa.
Segundo um relatório conjunto do Banco Mundial, da UE e da ONU, publicado na segunda-feira, o custo da reconstrução no pós-guerra será de 588 bilhões de dólares (3 trilhões de reais) na próxima década.
A Rússia justificou o envio de tropas à Ucrânia para impedir a ambição do país de aderir à Otan. O Kremlin considera que a entrada de Kiev na Aliança Atlântica ameaça a sua própria segurança.
Na segunda-feira, durante uma cerimônia do Dia do Defensor da Pátria, Putin insistiu que os soldados defendem as "fronteiras" da Rússia na Ucrânia para assegurar a "paridade estratégica" entre as potências e lutar pelo "futuro" do país.
A Ucrânia, uma ex-república soviética, considera que a guerra é o ressurgimento do imperialismo russo orientado a subjugar o povo ucraniano.
"A Rússia quer impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar as vidas que as pessoas escolheram para si próprias", declarou Zelensky em uma entrevista à BBC no domingo.
S.Jackson--AT