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Dezenas de presos políticos saem da prisão na Venezuela após anistia
Pelo menos 34 presos políticos deixaram, na tarde de segunda-feira (23), uma prisão nos arredores de Caracas, no âmbito de uma histórica lei de anistia promulgada na quinta-feira na Venezuela sob pressão de Washington.
"Somos livres!", gritavam vários, de cabeça raspada e camisa branca, após serem recebidos por familiares e amigos ao sair da prisão Rodeo I, a cerca de 40 km da capital.
O Parlamento aprovou na quinta-feira passada uma lei de anistia que abrange pontos específicos dos 27 anos do chavismo no poder. É uma iniciativa da presidente Delcy Rodríguez, que assumiu depois da captura de Nicolás Maduro em uma operação americana em 3 de janeiro.
Mas a anistia não é automática – é necessário solicitá-la a um tribunal – e envolve momentos específicos das quase três décadas de chavismo. Especialistas em direitos humanos a classificam como excludente e insuficiente.
Os libertados saíram em meio a uma algazarra pela porta principal dessa prisão, onde famílias estavam acampadas havia mais de um mês, desde que o governo anunciou um processo de solturas que avança a conta-gotas.
Eles abraçavam seus entes queridos, que aplaudiam e gritavam de emoção ao vê-los.
"Somos totalmente livres, sem nenhum tipo de regime ao qual tenhamos que nos apresentar", disse um dos presos recém-libertos, Luis Viera, à AFP. Ele permaneceu detido por um ano e um mês.
"Queria me atualizar sobre todas as notícias que vêm acontecendo aqui na Venezuela, queria primeiramente dedicar meu tempo à minha família, que é quem mais merece", afirmou.
Javier Rivas é um cadete que foi acusado como "golpista". "Eu sofri tortura, tortura, pancadas, maus-tratos físicos (...) me acusam de coisas que não são válidas", contou à AFP. "Estou vivo aqui", exclamou Rivas, em liberdade.
O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, informou no sábado que 1.500 presos políticos da Venezuela solicitaram sua liberdade por meio da anistia.
Explicou também que 11 mil pessoas em liberdade condicional terão liberdade plena graças à nova norma.
O instrumento se insere no que a presidente interina Rodríguez definiu como um passo rumo a "uma Venezuela mais democrática, mais justa, mais livre".
O Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve) atualizou de 30 para 34 o balanço de libertações em El Rodeo, que se somaram a outras 65 que a ONG Foro Penal havia informado anteriormente.
Especialistas, no entanto, duvidam do alcance dessa lei. Centenas de detidos, como militares acusados de atividades "terroristas", podem ficar de fora.
No entanto, alguns dos que foram libertados no marco da anistia desde a sua promulgação estão relacionados à área militar.
A presidente interina Delcy Rodríguez disse na segunda-feira que o país está de braços "abertos" para receber quem "quiser voltar" após a promulgação da lei de anistia.
A.Ruiz--AT