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Irã está disposto a responder 'ferozmente' a qualquer ataque dos EUA
Teerã advertiu, nesta segunda-feira (23), que responderá “ferozmente” a qualquer ataque ao seu território, ainda que seletivo, depois de Donald Trump ter afirmado considerar essa possibilidade contra o Irã, cenário de novas manifestações estudantis contra o poder.
O presidente dos Estados Unidos, que pretende chegar a um acordo com o Irã sobre seu programa nuclear, ordenou uma mobilização naval e aérea no Oriente Médio.
“Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, em coletiva de imprensa em Teerã.
Respondeu assim ao ser questionado sobre as declarações de Trump, que disse na sexta-feira que “considera” um ataque limitado contra o Irã se o país não chegar rapidamente a um acordo com os Estados Unidos.
“Qualquer Estado reagiria ferozmente a um ato de agressão em virtude de seu direito inerente à legítima defesa, e é justamente isso o que faríamos”, ressaltou Baqai.
- Evitar uma “escalada” -
Por sua vez, o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, alertou para o risco de uma “escalada” para além das fronteiras do seu país em caso de ataque e conclamou “todos os países comprometidos com a paz e a justiça a tomar medidas significativas” para evitá-la.
Os Estados Unidos e o Irã realizaram em 17 de fevereiro, na Suíça, uma segunda rodada de negociações indiretas, sob mediação de Omã, sobre o programa nuclear de Teerã, em um momento de grande tensão após Washington ter enviado dois porta-aviões para a região.
Irã e Omã confirmaram novas conversações nesta quinta-feira, mas os Estados Unidos ainda não se manifestaram.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, lidera as negociações do lado de Teerã, enquanto os Estados Unidos estão representados pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro do presidente americano, Jared Kushner.
Trump havia dito na quinta-feira que se dava um prazo de 10 a 15 dias para decidir se recorreria à força contra Teerã.
Apesar desse novo alerta, o chanceler iraniano considerou no domingo que existiam “boas chances de se chegar a uma solução diplomática em que todos ganhem”.
Araghchi afirmou que esperava entregar em breve “uma primeira versão” do texto à equipe americana.
Os diálogos anteriores entre os dois países foram interrompidos em junho de 2025 pela guerra desencadeada por Israel contra o Irã, na qual Washington interveio bombardeando instalações nucleares da república islâmica.
Os países ocidentais temem que Teerã queira dotar-se da bomba atômica, algo que o governo iraniano nega, assegurando que seu programa nuclear tem apenas fins civis.
Em troca de um acordo sobre seu programa nuclear, o Irã espera que os Estados Unidos suspendam as sanções que minam sua economia.
- Novas manifestações -
A tensão entre os Estados Unidos e o Irã voltou a crescer em consequência da violenta repressão de uma onda de manifestações pelas autoridades iranianas no início do ano, o que levou Trump a prometer “ajudar” o povo iraniano.
Pela primeira vez desde janeiro, nos últimos dias foram organizados vários protestos contra o poder em algumas cidades.
Nesta segunda-feira, foram divulgados nas redes sociais e verificados pela AFP vídeos que mostravam grupos de estudantes em uma universidade de Teerã queimando a bandeira da república islâmica, adotada após a revolução de 1979 que derrubou a monarquia.
A multidão, composta majoritariamente por mulheres, gritava “Abaixo a república islâmica!” e palavras de ordem contra o guia supremo, Ali Khamenei, e contra as autoridades religiosas.
Alguns iranianos relataram que, nesta segunda-feira, receberam um SMS dizendo que a residência do líder supremo e a sede do Conselho de Segurança Nacional haviam sido “atacadas”.
Enquanto isso, as forças de segurança patrulhavam os principais cruzamentos de Teerã.
K.Hill--AT