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Lula pedirá a Trump tratamento igualitário entre todos os países
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, neste domingo (22), na Índia, que espera dizer ao seu homólogo americano, Donald Trump, que deseja que todos os países sejam tratados da mesma forma, sem que os poderosos imponham sua vontade às nações mais fracas.
"Quero dizer ao presidente Trump que não queremos uma nova Guerra Fria. Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário", declarou Lula após a visita à Índia.
"Se isso for possível, eu acho que tudo voltará à normalidade", acrescentou o presidente, que seguirá viagem para a Coreia do Sul e os Emirados Árabes Unidos.
Lula e Trump devem se reunir provavelmente em março.
O presidente brasileiro fez essas declarações durante sua visita à Índia, onde assinou um acordo com o primeiro-ministro, Narendra Modi, sobre minerais críticos e terras raras. Além disso, ambos os líderes reafirmaram a expectativa de aumentar o comércio bilateral entre seus países para 30 bilhões de dólares (156 bilhões de reais) até 2030.
Lula criticou a imposição unilateral de tarifas americanas no ano passado, das quais, segundo ele, só ficou sabendo "pelo Twitter".
Da mesma forma, condenou o "autoritarismo" nas negociações com grandes países, como os Estados Unidos, onde um impõe sua vontade ao outro, e elogiou as deliberações com a Índia, que considerou uma "política dos iguais".
A Suprema Corte dos EUA derrubou a maior parte das tarifas impostas por Trump em todo o mundo, embora o líder americano tenha anunciado posteriormente uma nova tarifa de 15% sobre as importações.
- "Nada proibido" -
Lula e Trump, ambos com 79 anos, se reuniram em outubro do ano passado na Malásia, um encontro que amenizou as tensões.
Trump também isentou importantes exportações brasileiras de uma tarifa de 40% que havia imposto meses antes.
Sobre seu próximo encontro com Trump, Lula insistiu que nada está fora de questão e citou a questão dos minerais.
"O que não vamos permitir é que aconteça com nossas terras raras o que aconteceu com nosso minério de ferro. Por tantos anos a gente só cavou buraco para mandar minério para fora e depois comprar produto manufaturado", alertou.
Lula anunciou que sua agenda com Trump inclui comércio, parcerias universitárias, a situação dos brasileiros residentes nos Estados Unidos e investimentos americanos no Brasil.
"Não sei qual é a pauta dele, mas eu espero que, depois dessa reunião, a gente possa estar garantindo que voltou a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa", afirmou.
O presidente brasileiro reiterou seu apoio à reforma do Conselho de Segurança da ONU para incluir países em desenvolvimento como Brasil, Índia e México.
"É preciso fortalecer a ONU se a gente quer que prevaleça uma instituição de importância vital para a manutenção da paz e da harmonia no mundo", disse.
W.Moreno--AT