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EUA rejeita governança mundial da IA em cúpula de Nova Délhi
Os Estados Unidos rejeitaram, nesta sexta-feira (20), qualquer governança global da inteligência artificial (IA), uma tecnologia que alimenta temores sobre seu impacto na sociedade, nos empregos e na saúde do planeta.
"Rejeitamos totalmente a governança global da IA", declarou o assessor de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, durante a Cúpula de Impacto da IA realizada em Nova Délhi.
Poucas horas antes, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, havia confirmado a criação de uma comissão científica com o objetivo de "tornar o controle humano uma realidade técnica" para a inteligência artificial.
A demanda frenética pela IA generativa impulsionou os lucros das empresas de tecnologia.
"Estamos entrando em território desconhecido", disse Guterres nesta sexta-feira. "A mensagem é simples: menos exagero, menos medo. Mais fatos e evidências".
"A governança baseada na ciência não é um freio ao progresso", mas sim pode torná-lo "mais seguro, mais justo e mais amplamente compartilhado", argumentou Guterres na cúpula.
Para o representante da Casa Branca, a inteligência artificial tem o potencial de "promover o crescimento humano e gerar prosperidade sem precedentes".
"Obsessões ideológicas focadas em riscos, como mudanças climáticas ou equidade, tornam-se desculpas para a gestão burocrática e a centralização", afirmou.
A Assembleia Geral da ONU nomeou 40 especialistas para um novo grupo denominado Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial, indicou Guterres.
- Lula defende ação coletiva -
Sam Altman, CEO da OpenAI e à frente do ChatGPT, pediu na quinta-feira a adoção urgente de uma regulamentação sobre o uso da IA.
"A democratização da IA é a melhor maneira de garantir que a humanidade prospere", afirmou em seu discurso. "Isso não quer dizer que não precisamos de nenhuma regulamentação ou medida de segurança. É óbvio que precisamos delas, com urgência".
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou que, "sem uma ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas".
"Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder", acrescentou. "Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação", completou.
Os debates da cúpula de Nova Délhi incluíram grandes temas, da proteção das crianças até a perda de postos de trabalho e a necessidade de um acesso mais equitativo às ferramentas de IA em todo o mundo.
Contudo, a abordagem ampla e as promessas vagas feitas nos encontros anteriores na França, na Coreia do Sul e no Reino Unido podem dificultar os compromissos concretos.
O próximo encontro mundial acontecerá em Genebra em 2027.
- Declaração conjunta -
A cúpula de Nova Délhi será concluída com uma declaração conjunta que será publicada no sábado, anunciou o ministro indiano da Tecnologia da Informação, Ashwini Vaishnaw.
O governo dos EUA se mostra relutante em regulamentar o acesso e o conteúdo dessas plataformas, argumentando que isso prejudicaria a liberdade de expressão.
Washington divulgou uma declaração conjunta com a Índia na tarde desta sexta-feira, afirmando que ambos os países estão adotando uma abordagem global "favorável ao empreendedorismo e à inovação", com "estruturas regulatórias" que incentivam o investimento.
A reunião em Nova Délhi é a primeira cúpula sobre inteligência artificial organizada em um país em desenvolvimento. A Índia tenta aproveitar a oportunidade para impulsionar suas ambições de alcançar Estados Unidos e China no setor.
Os opositores do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, aproveitaram a oportunidade para protestar contra suas políticas no parque de exposições onde a cúpula estava sendo realizada. A polícia prendeu alguns desses ativistas.
Nova Délhi espera mais de 200 bilhões de dólares (1 trilhão de reais) em investimentos durante os próximos dois anos. Várias empresas do setor de tecnologia americano anunciaram nos últimos dias novos acordos e projetos de infraestrutura.
M.O.Allen--AT