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ONU defende comissão de 'controle humano' da IA; Casa Branca rejeita
Uma nova comissão da ONU busca o "controle humano" da inteligência artificial (IA), anunciou nesta sexta-feira (20) o secretário-geral das Nações Unidas durante uma reunião de cúpula na Índia, uma ideia rejeitada pelo governo dos Estados Unidos.
A demanda frenética por IA generativa provocou a disparada dos lucros das empresas de tecnologia, mas também alimentou muitos temores sobre seu impacto na sociedade, nos empregos e, inclusive, na saúde do planeta.
"Estamos entrando no desconhecido", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na Cúpula sobre o Impacto da IA celebrada em Nova Délhi, que termina nesta sexta-feira. "A mensagem é simples: menos exagero, menos medo. Mais fatos e evidências".
Segundo Guterres, a Assembleia Geral da ONU designou 40 especialistas para um novo grupo denominado Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial.
O órgão consultivo foi criado em agosto e tem como objetivo abordar a IA da mesma forma que o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU trata o aquecimento global, estabelecendo avaliações sobre seu impacto e estratégias de resposta.
"A governança baseada na ciência não é um freio ao progresso, e sim pode torná-lo mais seguro, mais justo e mais amplamente compartilhado", defendeu Guterres na cúpula.
"Quando compreendermos o que os sistemas podem fazer, e o que não podem fazer, poderemos passar de medidas aproximadas para barreiras de proteção mais inteligentes e baseadas no risco", acrescentou.
O conselheiro de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que o governo dos Estados Unidos rejeita "totalmente" uma governança global da IA.
Kratsios, chefe da delegação americana na cúpula sobre IA de Nova Délhi, fez os comentários antes da aguardada declaração dos líderes, que deve apresentar uma visão compartilhada sobre como administrar esta tecnologia disruptiva.
"Como o governo (do presidente Donald) Trump já disse em muitas ocasiões: rejeitamos totalmente a governança global da IA", disse. "Acreditamos que a adoção da IA não pode levar a um futuro mais promissor se estiver submetida a burocracias e ao controle centralizado", acrescentou.
Esta é a quarta reunião mundial anual concentrada na política da IA. A próxima acontecerá em Genebra no primeiro semestre de 2027.
A reunião em Nova Délhi é a primeira cúpula sobre inteligência artificial organizada em um país em desenvolvimento. A Índia tenta aproveitar a oportunidade para impulsionar suas ambições de alcançar Estados Unidos e China no setor.
Nova Délhi espera mais de 200 bilhões de dólares em investimentos durante os próximos dois anos. Várias empresas do setor de tecnologia americano anunciaram nos últimos dias novos acordos e projetos de infraestrutura.
- Bem comum mundial -
Sam Altman, CEO da OpenAI e à frente do ChatGPT, pediu na quinta-feira a adoção urgente de uma regulamentação sobre o uso da IA.
"A democratização da IA é a melhor maneira de garantir que a humanidade prospere", afirmou em seu discurso. "Isso não quer dizer que não precisamos de nenhuma regulamentação ou medida de segurança. É óbvio que precisamos delas, com urgência".
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou que, "sem uma ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas".
"Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder", acrescentou. "Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação", completou.
Os debates da cúpula de Nova Délhi, que recebeu milhares de pessoas, incluíram grandes temas, da proteção das crianças até a perda de postos de trabalho e a necessidade de um acesso mais equitativo às ferramentas de IA em todo o mundo.
Contudo, a abordagem ampla e as promessas vagas feitas nos encontros anteriores na França, na Coreia do Sul e no Reino Unido podem dificultar os compromissos concretos.
"Estamos entrando em uma era na qual os seres humanos e os sistemas de inteligência criam, trabalham e evoluem juntos", afirmou na quinta-feira o anfitrião, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi.
"Devemos decidir que a IA seja utilizada para o bem comum mundial", disse.
S.Jackson--AT