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Apresentação do 'Conselho da Paz' de Trump tem promessas de bilhões de dólares e tropas para Gaza
O presidente Donald Trump inaugurou nesta quinta-feira (19) seu "Conselho da Paz", uma aliança que poderia competir com as Nações Unidas, com o anúncio de bilhões de dólares e soldados de vários países para estabilizar a Faixa de Gaza.
Trump, que dirigirá a Junta, anunciou uma contribuição inicial de 10 bilhões de dólares (R$ 52,25 bilhões), à qual se somaram depois Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos com pelo menos 1 bilhão de dólares (R$ 5,2 bilhões) cada um.
A Casa Branca assegurou que, no total, contam com promessas de investimento de 6,5 bilhões de dólares (R$ 34 bilhões) para Gaza, que ficou devastada pela guerra entre Israel e Hamas, concluída em outubro passado.
Foi uma inauguração no estilo que agrada a Trump, cercado de aliados como os países do Golfo, Turquia ou Argentina, com música pop e um tom de satisfação e felicitações mútuas.
O "Conselho da Paz" começa com cerca de vinte países, e Trump, autoproclamado chefe vitalício da aliança, avisou que Gaza não será o único objetivo.
"Ajudaremos Gaza, vamos colocá-la novamente de pé", disse.
"Traremos a paz, e faremos coisas parecidas em outros lugares", afirmou.
A ONU, disse Trump, é um organismo "com grande potencial", mas que não esteve à altura de sua promessa fundacional.
Uma mensagem endossada por outros líderes presentes.
"Muitos na Europa dizem que o 'Conselho da Paz' quer substituir as Nações Unidas. Para mim, não parece que seja uma tentativa de substituir a ONU, mas se ajudar a sacudir esse gigante agonizante para que desperte, que assim seja", declarou o primeiro-ministro albanês, Edi Rama.
"Um sistema estava quebrado, um sistema que não era capaz de oferecer soluções", disse o presidente paraguaio, Santiago Peña. "Agora estamos resolvendo problemas".
- Cinco países muçulmanos -
Além do tom otimista, as contribuições de soldados e policiais para estabilizar a situação vieram de apenas cinco países, todos muçulmanos.
Os Estados Unidos liderarão a força de estabilização, com o apoio da Indonésia, o país com a maior população muçulmana do mundo.
Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia também enviarão tropas. Egito e Jordânia estão dispostos a treinar um novo corpo policial, que poderia começar já, com cerca de 2 mil agentes iniciais.
O presidente argentino, Javier Milei, ofereceu tropas, se necessário.
"Nossa trajetória em operações de paz é um capital comprovado que colocamos a serviço da força de estabilização" no território palestino, afirmou.
"A paz duradoura não se constrói sobre consensos que cedem no essencial. Constrói-se sobre a determinação de defendê-la", disse Milei.
- Uma promoção turística -
As necessidades em Gaza são muito elevadas, com uma população à beira do colapso, com cerca de dois terços de suas casas e infraestruturas devastadas e confrontos regulares com Israel.
O movimento islamista Hamas controla ainda a parte costeira do território, e Trump lembrou que seus militantes deverão abandonar as armas.
O "Conselho da Paz" foi uma iniciativa particular de Trump que surgiu ao final das negociações de paz entre Israel e Hamas, concluídas em 9 de outubro.
Ex-promotor imobiliário, Trump concebe a reconstrução de Gaza como uma gigantesca obra que, em poucos anos, atrairá investimentos turísticos.
O objetivo é desarmar o conflito quase centenário entre Israel e os palestinos por meio do desenvolvimento econômico, apesar de os habitantes de Gaza viverem em extrema pobreza.
O representante palestino na reunião de Washington demonstrou boa disposição.
"Obrigado, presidente Trump, por sua liderança, por seus esforços contínuos. Bem-aventurados os que trabalham pela paz", declarou o chefe da administração provisória para Gaza, Ali Shaath.
O "Conselho da Paz" não recebeu o respaldo dos países da Europa Ocidental nem do Canadá.
Diante do modelo voluntário da ONU, Trump propõe que aqueles que quiserem participar de seu "Conselho" paguem, após dois anos gratuitos, uma contribuição de 1 bilhão de dólares.
Trump se apresenta como o presidente da paz, mas as advertências ao Irã, que está sob pressão para negociar o abandono de seu programa nuclear e balístico, voltaram a aparecer.
"Em dez dias saberemos" se o Irã acata as exigências, advertiu o republicano.
P.Smith--AT