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Estados Unidos e Israel sobem o tom contra Irã
Os Estados Unidos, que reforçaram sua presença militar no Oriente Médio, advertiram que o Irã deve alcançar um "acordo" nuclear, caso contrário, "coisas ruins acontecerão" nos "próximos 10 dias", após Israel alertar aos iranianos que, se atacarem seu país, receberão uma "resposta que nem sequer podem imaginar".
"Com o passar dos anos, ficou comprovado que não é fácil chegar a um acordo com o Irã. Temos que alcançar um acordo significativo, caso contrário, coisas ruins acontecerão", afirmou o presidente americano, Donald Trump, na reunião inaugural do "Conselho da Paz", sua iniciativa para garantir a estabilidade em Gaza.
O republicano advertiu que Washington "pode ter que dar um passo além" se nenhum acordo for alcançado.
"Vocês provavelmente saberão disso nos próximos 10 dias", afirmou, pouco depois de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, fazer seu próprio alerta.
"Se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, receberão uma resposta que nem sequer podem imaginar", sustentou Netanyahu.
Os dois países rivais retomaram recentemente as negociações indiretas, mediadas por Omã, depois que Trump ameaçou realizar uma operação militar contra o Irã, primeiro pela brutal repressão aos protestos antigovernamentais e depois por seu programa nuclear.
O Irã nega desejar dotar-se de uma bomba nuclear e pede ao governo americano que alivie as sanções.
A CNN e a CBS noticiaram na quarta-feira que o Exército americano está preparado para lançar ataques contra o Irã neste fim de semana, embora o presidente ainda não tenha tomado uma decisão.
Citando autoridades americanas não identificadas, o Wall Street Journal afirma que Trump foi informado sobre suas opções militares, "todas planejadas para maximizar os danos", incluindo uma campanha para "matar dezenas de líderes políticos e militares iranianos, com o objetivo de derrubar o governo".
As ameaças não parecem intimidar o governo dos aiatolás.
"O programa nuclear do Irã avança de acordo com as normas da Agência Internacional de Energia Atômica, e nenhum país pode privar o Irã do direito de se beneficiar pacificamente dessa tecnologia", declarou o chefe do programa nuclear iraniano, Mohammad Eslami, em um vídeo divulgado pela mídia local.
Isso ocorre apesar do alerta da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na quarta-feira, de que existem "muitas razões e argumentos que poderiam ser usados para um ataque ao Irã".
Uma tentativa anterior de negociação fracassou quando Israel lançou um ataque surpresa ao Irã em junho do ano passado. Isso desencadeou uma guerra de 12 dias, na qual Washington se envolveu brevemente para bombardear instalações nucleares iranianas.
Os EUA reforçaram sua presença militar no Oriente Médio e pediram ao Reino Unido que evite ceder a soberania sobre as Ilhas Chagos, no oceano Índico, porque uma base aérea no arquipélago pode ser necessária caso o Irã não chegue a um acordo.
Em meio aos alertas, a Polônia ordenou nesta quinta-feira que todos os seus cidadãos no Irã "deixem o país imediatamente".
- 'Não queremos guerra' -
O Irã e os Estados Unidos realizaram uma segunda rodada de negociações na terça-feira, em Genebra.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que "princípios" foram acordados, mas o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que a República Islâmica não reconheceu todas as linhas vermelhas de Washington.
"Não queremos guerra", disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira, insinuando, ao mesmo tempo, que Teerã não pode ceder às exigências dos EUA.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, pediu "moderação" e que seja dada "prioridade absoluta aos meios políticos e diplomáticos".
- Mobilização militar -
Durante as negociações, os Estados Unidos aumentaram sua presença militar perto do Irã com navios de guerra, caças e aviões-tanque, preparando-se para atacar caso Trump dê a ordem.
O Irã, por sua vez, iniciou exercícios militares esta semana no Estreito de Ormuz.
Políticos iranianos ameaçaram bloquear essa via navegável, uma rota vital por onde transita aproximadamente 20% do volume de petróleo e gás natural liquefeito do mundo.
As Forças Armadas do Irã e da Rússia também realizam exercícios militares conjuntos na região, no mar de Omã. Segundo Moscou, os exercícios estavam programados e não devem ser motivo de alarme.
O.Gutierrez--AT