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Irã defende enriquecimento nuclear apesar das ameaças de ataque dos EUA
O Irã enfatizou, nesta quinta-feira (19), que "nenhum país" pode privá-lo de seu "direito" ao enriquecimento nuclear, apesar de os Estados Unidos verem "muitos motivos" para atacar a República Islâmica e de diversos veículos da mídia americana afirmarem que o Exército já está preparado para fazê-lo.
Os dois países rivais retomaram recentemente as negociações indiretas, mediadas por Omã, depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou realizar uma operação militar contra o Irã, primeiro pela brutal repressão aos protestos antigovernamentais e depois por seu programa nuclear.
A CNN e a CBS noticiaram na quarta-feira que o Exército americano está preparado para lançar ataques contra o Irã neste fim de semana, embora o presidente ainda não tenha tomado uma decisão.
Citando autoridades americanas não identificadas, o Wall Street Journal afirma que Trump foi informado sobre suas opções militares, "todas planejadas para maximizar os danos", incluindo uma campanha para "matar dezenas de líderes políticos e militares iranianos, com o objetivo de derrubar o governo".
As ameaças não parecem intimidar o governo dos aiatolás.
"O programa nuclear do Irã avança de acordo com as normas da Agência Internacional de Energia Atômica, e nenhum país pode privar o Irã do direito de se beneficiar pacificamente dessa tecnologia", declarou o chefe do programa nuclear iraniano, Mohammad Eslami, em um vídeo divulgado pela mídia local.
Isso ocorre apesar do alerta da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na quarta-feira, de que existem "muitas razões e argumentos que poderiam ser usados para um ataque ao Irã".
Uma tentativa anterior de negociação fracassou quando Israel lançou um ataque surpresa ao Irã em junho do ano passado. Isso desencadeou uma guerra de 12 dias, na qual Washington se envolveu brevemente para bombardear instalações nucleares iranianas.
Em uma mensagem em sua plataforma Truth Social, Trump sugeriu novamente que os Estados Unidos poderiam atacar o Irã.
Por enquanto, os EUA reforçaram sua presença militar no Oriente Médio e pediram ao Reino Unido que evite ceder a soberania sobre as Ilhas Chagos, no Oceano Índico, porque uma base aérea no arquipélago pode ser necessária caso o Irã não chegue a um acordo.
Em meio aos alertas, a Polônia ordenou nesta quinta-feira que todos os seus cidadãos no Irã "deixem o país imediatamente".
- 'Não queremos guerra' -
O Irã e os Estados Unidos realizaram uma segunda rodada de negociações na terça-feira, em Genebra.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que "princípios" foram acordados, mas o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que a República Islâmica não reconheceu todas as linhas vermelhas de Washington.
"Não queremos guerra", disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira, insinuando, ao mesmo tempo, que Teerã não pode ceder às exigências dos EUA.
O secretário de Energia americano, Chris Wright, alertou que Washington dissuadirá Teerã de adquirir armas nucleares "de um jeito ou de outro".
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, pediu "moderação" e que seja dada "prioridade absoluta aos meios políticos e diplomáticos".
Os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos e por Israel, inimigo declarado do Irã e única potência nuclear no Oriente Médio, acusam a República Islâmica de buscar adquirir uma bomba atômica.
Teerã nega tais ambições militares e insiste em seu direito de enriquecer urânio para fins civis.
- Mobilização militar -
Durante as negociações, os Estados Unidos aumentaram sua presença militar perto do Irã com navios de guerra, caças e aviões-tanque, preparando-se para atacar caso Trump dê a ordem.
O Irã, por sua vez, iniciou exercícios militares esta semana no Estreito de Ormuz.
Políticos iranianos ameaçaram bloquear essa via navegável, uma rota vital por onde transita aproximadamente 20% do volume de petróleo e gás natural liquefeito do mundo.
As Forças Armadas do Irã e da Rússia também realizam exercícios militares conjuntos na região, no mar de Omã. Segundo Moscou, os exercícios estavam programados e não devem ser motivo de alarme.
M.White--AT