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EUA aumenta presença militar no Oriente Médio e pressiona Irã a fechar acordo
A Casa Branca indicou nesta quarta-feira (18) ao Irã que seria "muito sensato" fechar um acordo com os Estados Unidos, enquanto Donald Trump voltou a insinuar uma ação militar.
A porta-voz da Casa Branca fez a advertência após o Irã informar que estava traçando uma base para avançar em suas negociações com os Estados Unidos.
Já Trump pediu ao Reino Unido que não abra mão da sua soberania sobre o arquipélago de Chagos, no Oceano Índico. Ele alegou que uma base aérea no local pode ser necessária caso o Irã não aceite um acordo, "a fim de erradicar um possível ataque de um regime sumamente instável e perigoso".
Washington e Teerã concluíram ontem uma segunda rodada de negociações indiretas, mediada por Omã, em um contexto de intensificação do destacamento militar americano no Golfo. As duas partes informaram que vão prosseguir com as conversas, mas ressaltaram que estavam longe de aproximar suas posições.
"Há várias razões e argumentos em favor de um ataque contra o Irã", indicou a Casa Branca, acrescentando que o país "seria muito sensato se fechasse um acordo com o presidente Trump."
Mais cedo, o secretário de Energia americano, Chris Wright, advertiu que os Estados Unidos impedirão o Irã de ter a arma nuclear "de um jeito ou de outro".
- AIEA -
Washington enviou dois porta-aviões ao Golfo e dispõe de dezenas de milhares de soldados em bases naquela região, algumas delas potencialmente vulneráveis em caso de contra-ataque iraniano.
As redes de TV CNN e a CBS noticiaram hoje que o Exército americano está pronto para atacar o Irã a partir do próximo fim de semana, embora tenham ressaltado que Trump ainda não tomou uma decisão final.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, informou ao diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, que seu país trabalha na redação de uma base preliminar para a continuação das conversas. Segundo o governo do Irã, Grossi disse que a AIEA, encarregada de verificar o caráter pacífico do programa nuclear iraniano, estava "disposta a oferecer apoio" nesse sentido.
O embaixador iraniano junto às organizações internacionais em Viena, Reza Najafi, conversou hoje com Grossi e com os embaixadores da China e da Rússia, antes da próxima reunião do Conselho de Governadores da AIEA.
O Irã havia suspendido sua cooperação com esse órgão e restringido o acesso de inspetores às instalações afetadas após uma guerra de 12 dias em que os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares iranianas.
Trump ameaçou várias vezes intervir militarmente contra o Irã, e chegou a mencionar uma derrubada do poder caso um acordo não seja fechado.
"Não queremos a guerra (...) Mas, se eles querem tentar nos impor sua vontade (...) exigir que baixemos a cabeça a todo custo, deveríamos aceitar?", questionou hoje o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em discurso no oeste do país.
O Irã também multiplicou as ameaças de retaliação em caso de ataque, entre elas o fechamento do Estreito de Ormuz, uma via estratégica para o comércio mundial de petróleo. Os Guardiões da Revolução, exército ideológico da república islâmica, realizam nesta semana exercícios militares nessa região.
Y.Baker--AT