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Ucrânia e Rússia continuarão negociações com EUA após diálogos 'construtivos' em Abu Dhabi
Ucrânia e Rússia concordaram neste sábado (24), em Abu Dhabi, em continuar as negociações com a participação dos Estados Unidos, após um dia de conversas em um "clima construtivo".
Em uma mensagem na rede X, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que "muitos assuntos foram discutidos e é importante que as conversas tenham sido construtivas".
As negociações, acrescentou o presidente ucraniano, serão retomadas "possivelmente a partir da próxima semana".
Pouco depois do encerramento da sessão deste sábado em Abu Dhabi, um porta-voz do governo dos Emirados Árabes Unidos afirmou que as conversas ocorreram em um "clima construtivo e positivo", sem fornecer mais detalhes.
As negociações começaram na sexta-feira na capital emiradense e, até o momento, nenhum detalhe substancial foi divulgado sobre qualquer progresso alcançado ou questões pendentes.
A Ucrânia denunciou os bombardeios russos durante a noite, que deixaram pelo menos um morto e 27 feridos, antes do segundo dia de negociações em Abu Dhabi.
"Seus mísseis não atingem apenas pessoas, mas também a mesa de negociações", acrescentou.
Mesmo antes do início das negociações trilaterais, a Rússia já havia deixado claro que considera essencial a retirada das tropas ucranianas da região do Donbass.
"Ainda é muito cedo para tirar conclusões", disse Zelensky ao final das primeiras discussões na sexta-feira.
Estas são as primeiras negociações diretas conhecidas entre Moscou e Kiev sobre o plano proposto pelos Estados Unidos para encerrar o conflito, que já deixou dezenas de milhares de mortos desde 2022.
A delegação russa é chefiada pelo general Igor Kostiukov, chefe do serviço de inteligência militar (GRU). Os Estados Unidos são representados pelos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
- "Abandonar o Donbass" -
As negociações ocorrem em um contexto difícil para a Ucrânia, cuja rede energética foi severamente afetada por uma série de ataques russos que causaram extensos cortes de energia e calefação em meio a temperaturas congelantes, particularmente em Kiev.
Os bombardeios intensos deixaram pelo menos um morto e 27 feridos na capital e em Kharkiv, no nordeste do país, na madrugada deste sábado.
Milhares de casas ficaram sem água, eletricidade e calefação, com temperaturas próximas a -10°C, afirmou o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.
Na linha de frente, as tropas ucranianas recuam há quase dois anos diante de um adversário maior e melhor armado, enquanto Kiev depende fortemente do apoio financeiro e militar ocidental.
"As Forças Armadas da Ucrânia devem deixar o Donbass; devem se retirar. Esta é uma condição muito importante", alertou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, na sexta-feira.
"Sem uma solução para a questão territorial (...) não faz sentido esperar pela conclusão de um acordo de longo prazo", acrescentou.
Antes dos encontros em Abu Dhabi, Zelensky e Trump se reuniram em Davos. O presidente russo, Vladimir Putin, e os enviados americanos Witkoff e Kushner também se encontraram em Moscou.
- Sem os europeus -
As partes já haviam realizado negociações diretas durante o primeiro ano do conflito, em 2022, e novamente em 2025 em Istambul, mas esses contatos resultaram apenas na troca de prisioneiros e corpos de soldados.
As negociações desta semana acontecem longe da Europa e sem a participação dos países da União Europeia, que temem que Washington pressione Kiev a aceitar um acordo considerado muito favorável a Moscou.
A Rússia critica com frequência a interferência europeia nas negociações.
Na quinta-feira, no Fórum Econômico Mundial em Davos, Zelensky fez um discurso duro contra seus principais aliados políticos e financeiros, afirmando que via uma Europa "fragmentada" e "perdida" em sua capacidade de influenciar as posições de Trump e sem "vontade política" diante de Putin.
À margem do encontro das elites globais na Suíça, ele manteve uma breve conversa com Trump, após a qual anunciou um acordo sobre garantias de segurança para a Ucrânia, que agora precisa ser finalizado pelos dois líderes e pelos parlamentos de ambos os países.
O.Ortiz--AT