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Lula pede 'coragem' à UE enquanto Mercosul, impaciente, busca outros parceiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu neste sábado(20) aos líderes da União Europeia que tenham "coragem" para levar adiante o acordo comercial com o Mercosul, em uma cúpula em Foz do Iguaçu, onde os sul-americanos demonstraram impaciência com o atraso em sua assinatura.
Os presidentes do bloco reúnem-se neste sábado na cidade paranaense, onde a o acordo de livre comércio seria assinado, mas as reticências da França e Itália o adiaram.
"Sem vontade política e coragem dos dirigentes não será possível concluir uma negociação que já se arrasta por 26 anos", disse Lula na reunião do bloco inicialmente formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Lula afirmou que está confiante de que a assinatura ocorra em janeiro, como indicou a Comissão Europeia na quinta-feira.
"Enquanto isso, o Mercosul seguirá trabalhando com outros parceiros", acrescentou o presidente.
Segundo Lula, o bloco está se aproximando comercialmente do Canadá, Emirados Árabes Unidos e Índia.
Os agricultores na Europa, especialmente na França e na Itália, veem com apreensão a chegada de carne, arroz, mel ou soja dos países do Mercosul, mais competitivos devido a normas de produção consideradas menos rigorosas.
Lula afirmou esta semana que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, garantiu que seu país estará pronto para assinar nas próximas semanas.
"Segundo a Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) e o Antonio Costa (presidente do Conselho Europeu), não haverá possibilidade de a França, sozinha, não permitir o acordo", disse Lula.
Já Alemanha, Espanha e os países nórdicos são favoráveis ao pacto que permitiria à UE exportar mais veículos, máquinas, vinhos e destilados para a América do Sul.
Além de Lula, compareceram ao encontro, diante das imponentes Cataratas do Iguaçu, os presidentes argentino Javier Milei, paraguaio Santiago Peña, uruguaio Yamandú Orsi, e o do Panamá, José Raúl Mulino.
- Sem data para a assinatura -
Na véspera, os chanceleres do Paraguai e da Argentina pressionaram o bloco europeu para firmar o pacto o quanto antes.
"Estamos dispostos a avançar, entendendo que a Europa tem seus prazos para cumprir as questões institucionais internas, mas, ao mesmo tempo, os prazos não são infinitos", declarou a jornalistas o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez, após uma reunião com seus pares do Mercosul.
Uma fonte da Comissão Europeia e dois diplomatas disseram na sexta-feira, em Bruxelas, que a nova data prevista para a assinatura é 12 de janeiro, no Paraguai, que sucederá o Brasil na presidência rotativa do Mercosul ao final da cúpula.
Porém, Ramírez disse não ter recebido "nenhuma comunicação oficial" a respeito.
O chanceler argentino, Pablo Quirno, pediu para "revisar as prioridades de relacionamento externo do Mercosul e avançar rumo a bilateralidades mais ágeis e com resultados concretos".
E.Hall--AT