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Trump afirma que acordo com Ucrânia está próximo; europeus propõem força multinacional de paz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (15) que o acordo para pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia está mais próximo do que nunca, enquanto vários líderes europeus propuseram uma "força multinacional" para garantir a paz.
Essas declarações otimistas ocorreram no segundo dia de conversas em Berlim entre o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, e enviados americanos para impulsionar os esforços destinados a deter o conflito.
"Acho que agora estamos mais perto do que nunca", disse Trump a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, acrescentando que teve "conversas muito longas e muito boas" com Zelensky e outros líderes, incluindo os de Reino Unido, França, Alemanha e o secretário-geral da Otan.
Os dirigentes europeus propuseram liderar uma força com o apoio dos Estados Unidos como parte das "sólidas garantias de segurança" para a Ucrânia, a fim de evitar que a Rússia viole um acordo para encerrar o conflito, indicaram em declaração conjunta.
Zelensky, que se reuniu pelo segundo dia na capital alemã com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner, apontou "avanços reais" quanto às garantias de segurança.
Porém, disse que ainda há posições divergentes sobre a possibilidade de Kiev ceder territórios.
"Há questões complexas, particularmente as relacionadas ao território [...] Para ser honesto, ainda temos posições diferentes", disse o mandatário ucraniano à imprensa.
- Garantias de segurança dos EUA -
Trump aumentou a pressão sobre Kiev desde que apresentou, em novembro, um plano de 28 pontos para pôr fim à guerra, iniciada em fevereiro de 2022 com a invasão russa da Ucrânia.
O projeto, no entanto, foi criticado pelos ucranianos e seus aliados por ser favorável demais a Moscou.
Desde então, as autoridades de Kiev apresentaram uma contraproposta e Zelensky indicou que seu país estava disposto a abrir mão de seu desejo de aderir à Otan, desde que recebesse em troca garantias sólidas em matéria de segurança.
O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda que as recentes conversas ofereceram uma "verdadeira oportunidade para um processo de paz" e elogiou os Estados Unidos por apresentarem um conjunto "notável" de garantias de segurança.
Em sua declaração conjunta, os líderes europeus -- entre eles os de Reino Unido, França e Alemanha -- delinearam o que, segundo eles, são outros pontos de consenso com os representantes americanos.
O Exército ucraniano deveria continuar recebendo amplo apoio e manter, em tempos de paz, uma força de 800 mil soldados, de acordo com o documento.
A paz também seria preservada graças a um "mecanismo de monitoramento e verificação do cessar-fogo liderado pelos Estados Unidos", que identificaria violações e "forneceria um alerta precoce de qualquer ataque futuro".
Funcionários americanos advertiram que a Ucrânia deveria aceitar o pacto, o que proporcionaria, segundo eles, garantias muito similares ao Artigo 5 da Otan, que considera que um ataque a um aliado é, na verdade, direcionado a todos os membros.
"A base desse acordo é, basicamente, ter garantias realmente muito fortes — como as do Artigo 5 [da Carta da Otan] — e também uma dissuasão muito, muito sólida" por meio de armamentos, disse um funcionário sob condição de anonimato.
"Estas garantias não estarão sobre a mesa para sempre", acrescentou.
Trump já descartou a entrada formal da Ucrânia na Otan e alinhou-se a Moscou ao qualificar as aspirações de Kiev de aderir à aliança como uma razão para a invasão russa.
- Putin 'quer território' -
Quanto às conversas com a parte americana, Zelensky afirmou que "nunca são fáceis", mas que foram "produtivas".
Um funcionário próximo às negociações disse à AFP que os negociadores americanos continuam exigindo que a Ucrânia abandone a região de Donbass, formada pelas províncias de Luhansk e Donetsk, uma linha vermelha para Kiev.
A Rússia controla quase toda Luhansk e cerca de 80% de Donetsk, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos.
O presidente russo, Vladimir Putin, "quer território", destacou essa fonte. "Os americanos dizem que a Ucrânia 'deve recuar', o que Kiev rejeita", acrescentou.
Trump considerou inevitável que a Ucrânia cedesse território à Rússia, um resultado inaceitável para Zelensky após quase quatro anos de guerra.
A Rússia assinalou que insistirá em suas exigências fundamentais, entre elas as relativas ao território e ao fato de a Ucrânia jamais se juntar à aliança militar do Atlântico Norte.
Moscou também se opôs anteriormente a qualquer força liderada pela Europa na Ucrânia para monitorar o cumprimento de um acordo de paz.
O Kremlin indicou nesta segunda-feira que espera que Washington o informe sobre os resultados das conversas em Berlim.
burs-fz/jxb/fg/sag/jvb/aa/fp/ic/aa/yr/rpr
N.Walker--AT