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Defesa Civil de Gaza relata 27 mortos em ataques israelenses
A Defesa Civil de Gaza anunciou nesta quarta-feira (19) a morte de 27 pessoas em bombardeios israelenses que, segundo o Exército de Israel, foram represálias a violações do cessar-fogo por parte do movimento islamista palestino Hamas.
Os ataques estão entre os mais letais do exército israelense sobre Gaza desde o início da trégua promovida pelo governo americano de Donald Trump no território palestino, em 10 de outubro.
Segundo os serviços de emergências deste enclave controlado pelo Hamas, os bombardeios deixaram 14 mortos na Cidade de Gaza, no norte da Faixa, e outros 13 nos arredores de Khan Yunis, no sul.
"Os bombardeios e as mortes começaram novamente. Não nos deixam nem ter tempo para respirar", lamentou à AFP Ashraf Abu Sultan, um homem de 50 anos que havia acabado de voltar à Cidade de Gaza para reparar sua casa destruída.
"Não há esperança para a vida em Gaza", disse Nivine Ahmed, mulher deslocada que vive em uma tenda em Khan Yunis. "Ouvimos o barulho das explosões e vimos como a fumaça subia. As pessoas corriam, as sirenes das ambulâncias ressoavam", recordou.
Em um comunicado, o Exército israelense informou sobre esses ataques contra "alvos terroristas do Hamas na Faixa de Gaza" em resposta a disparos de militantes do movimento contra suas tropas no sul do território.
Embora os soldados não tenham sofrido danos, "esta ação constitui uma violação do acordo de cessar-fogo", afirmou.
O Hamas denunciou em um comunicado as ações como uma "escalada perigosa" e instou os Estados Unidos a "exercer uma pressão imediata e séria" para forçar Israel a respeitar o acordo.
Devido às restrições impostas à imprensa em Gaza e às dificuldades de acesso ao terreno, a AFP não pôde verificar de forma independente as informações de ambas as partes.
- Negociações estagnadas -
O acordo de trégua promovido por Trump entrou em vigor em 10 de outubro e se mantém apesar de hostilidades que irromperam entre os dois lados.
Mais de 280 palestinos morreram desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
Os bombardeios mais letais ocorreram em 29 de outubro, com mais de 100 habitantes mortos, de acordo com a Defesa Civil e dados de cinco hospitais do território.
Israel afirma que seus ataques têm como alvo apenas o movimento islamista e seus aliados, a quem acusa de violar o cessar-fogo.
O pacto também previa a libertação de 20 reféns capturados pelo Hamas e a devolução dos corpos dos 28 que morreram.
Embora falte apenas restituir três corpos, a implementação da segunda fase do acordo promovido pelos EUA ainda não começou.
Nessa etapa, deveriam ser acertados os termos do desarmamento do Hamas, a implementação de uma autoridade de transição e o deslocamento de uma força internacional de estabilização no território palestino.
A guerra começou em 7 de outubro de 2023 com o ataque do Hamas ao sul de Israel, que resultou na morte de 1.221 pessoas, segundo um balanço baseado em dados oficiais.
A ofensiva de represália israelense sobre Gaza matou ao menos 69.513 pessoas, de acordo com os números do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis pela ONU.
P.Smith--AT