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Presidente nega ter "política de vingança" contra tribunal de paz da Colômbia
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, negou, neste domingo (20), ter "uma política de vingança" contra o tribunal de paz da Colômbia, após o corte orçamentário milionário que sua bancada propõe no Congresso.
A Jurisdição Especial para a Paz (JEP) investiga e julga os piores crimes cometidos durante o conflito armado interno de meio século.
Alejandro Ramelli, presidente do tribunal criado a partir do histórico acordo de paz com a guerrilha das Farc em 2016 e que De la Espriella prometeu desmantelar durante sua campanha presidencial, denunciou na sexta-feira uma "estratégia" de "asfixia econômica" por parte do governo, depois que um senador governista apresentou um projeto para reduzir de US$ 230 milhões para US$ 199 milhões (de R$ 1,18 bilhão para R$ 1 bilhão) o orçamento de 2026 desse organismo.
"Não tenho uma política de vingança contra a JEP. Tenho o dever de ordenar o gasto, exigir resultados e destinar os recursos limitados do Estado para uma justiça que sirva a todos, não a um tribunal que uma parte do país percebe (...) como um regime de benefícios", afirmou De la Espriella no X.
O governo propõe transferir o montante do corte milionário previsto para 2027 ao sistema ordinário de justiça, que "carece dos recursos indispensáveis para funcionar com eficácia e oportunidade", segundo De la Espriella.
"Exijo que a JEP explique como planeja, como executa, em que prioriza seus recursos e por que precisa de mais dinheiro quando o país enfrenta uma realidade fiscal apertada", acrescentou o mandatário.
As primeiras sentenças do tribunal, anunciadas em meados do ano passado, substituem penas de prisão por trabalhos comunitários para aqueles que reconheceram sua participação e fornecessem informações para esclarecer crimes.
Em uma primeira decisão, a JEP condenou a cúpula das Farc a oito anos de trabalhos restaurativos e restrições à mobilidade por mais de 21.000 sequestros.
Depois, condenou com uma medida similar um primeiro grupo de 12 militares da reserva por desaparecimentos e execuções extrajudiciais de civis.
R.Lee--AT