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Governo britânico endurece sua política de asilo e imigração
O governo trabalhista britânico apresenta nesta segunda-feira (17) uma reforma para endurecer sua política de asilo e imigração e conter a chegada de pessoas em pequenas embarcações vindas das costas francesas, enquanto a extrema direita lidera as pesquisas.
A ministra do Interior, Shabana Mahmood, apresentará esta tarde no Parlamento as medidas para combater a imigração irregular.
Desde 1º de janeiro, 39.292 pessoas chegaram ao Reino Unido em pequenas embarcações, um número que supera o de 2024 (36.816). Os pedidos de asilo aumentaram 18% em 2024, enquanto no conjunto da União Europeia (UE) diminuíram 13% no mesmo período, segundo dados do governo.
Desde 2021, mais de 400.000 pedidos foram registrados, em comparação com 150.000 no período de 2011-2015, segundo dados oficiais.
- Ascensão da extrema direita -
Há vários meses, o partido de extrema direita Reform UK, liderado por Nigel Farage e que transformou a imigração em seu principal tema de campanha, lidera as pesquisas de intenção de voto.
Entre as medidas já anunciadas, os refugiados deverão "retornar ao seu país de origem assim que for considerado seguro" e sua situação será revisada a cada 30 meses.
Os requerentes de asilo terão que esperar vinte anos, em vez dos cinco atuais, para solicitar uma autorização de residência permanente, medida inspirada no modelo dinamarquês.
Os auxílios sociais (moradia, subsídios econômicos) não serão mais automáticos. O governo quer eliminá-los "para aqueles que têm direito a trabalhar e podem se sustentar".
O governo quer modificar a aplicação no Reino Unido da Convenção Europeia dos Direitos Humanos para facilitar as expulsões. Dessa forma, apenas poderão permanecer no país as pessoas que já tenham familiares diretos no Reino Unido (filhos, pais).
- Restrição de vistos -
Antes de apresentar as medidas ao Parlamento, o governo britânico anunciou nesta segunda-feira que poderia restringir a concessão de vistos a três países africanos, aos quais acusa de não colaborar na repatriação de seus cidadãos em situação irregular.
Em comunicado, o Ministério do Interior apontou para Angola, Namíbia e a República Democrática do Congo. Os três países "têm um mês" para melhorar a situação, advertiu nesta segunda-feira o secretário de Estado de Asilo e Segurança Fronteiriça, Alex Norris, no canal Sky News.
O Ministério do Interior sustenta que "milhares de migrantes em situação irregular originários dessas três nações se encontram atualmente no Reino Unido". O governo disse que considerará medidas similares contra outros países.
Nigel Farage, líder do Reform UK, celebrou os anúncios do governo trabalhista, dizendo que a ministra do Interior "parece uma simpatizante" de seu partido.
Já a deputada trabalhista Stella Creasy criticou as reformas qualificando-as de "cruéis" e "economicamente mal calculadas", em um artigo no The Guardian.
P.A.Mendoza--AT