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Capacetes azuis acusam Exército israelense de disparar contra eles no sul do Líbano
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) acusou neste domingo (16) o Exército israelense de abrir fogo contra seus membros no sul do país, enquanto Israel afirmou que não disparou deliberadamente contra o contingente.
A Unifil trabalha com o Exército libanês na aplicação do acordo de cessar-fogo que pôs fim, em 27 de novembro de 2024, a mais de um ano de conflito entre o movimento pró-iraniano Hezbollah e Israel, incluindo dois meses de guerra aberta.
"Nesta manhã, o (Exército) israelense disparou contra soldados da paz da Unifil a partir de um tanque Merkava localizado próximo a uma posição estabelecida por Israel em território libanês", indicou a Unifil em comunicado, no qual especificou que os disparos passaram a cerca de cinco metros dos capacetes azuis.
A força da ONU especificou que houve tiros de armas pesadas perto dos soldados, que puderam abandonar o local sem perigo quando o tanque se retirou.
O Exército israelense declarou que os disparos não foram "deliberados" e que confundiu os capacetes azuis com "suspeitos".
Neste domingo, "dois suspeitos foram identificados na área de El Hamames, no sul do Líbano. As tropas dispararam tiros de advertência (...), [depois] viu-se que os suspeitos eram soldados da ONU realizando uma patrulha na região", declarou o Exército israelense, especificando que o incidente está sendo investigado.
Após o incidente, a Unifil afirmou que os tiros "constituem uma violação grave da resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas", a decisão que pôs fim à guerra de 2006 entre Israel e Hezbollah.
Segundo essa resolução, que serviu de base para o acordo de cessar-fogo, apenas o Exército libanês e os capacetes azuis têm permissão para estar desdobrados no sul do Líbano, próximo à fronteira com Israel.
A Unifil instou o "Exército israelense a cessar qualquer comportamento agressivo e qualquer ataque contra ou perto dos soldados da paz, que se esforçam para restabelecer a estabilidade que tanto Israel quanto o Líbano dizem buscar".
O Exército israelense ainda ocupa cinco posições no sul do Líbano e costuma realizar bombardeios em território libanês, apesar do acordo, em operações que afirma serem contra o Hezbollah.
W.Morales--AT