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Dominada por Xi Jinping, cúpula da Apec encerra com compromissos de cooperação e IA
A cúpula da Apec terminou neste sábado (1º), na Coreia do Sul, tendo o presidente chinês, Xi Jinping, como figura central e diversos compromissos assumidos em relação à cooperação e à inteligência artificial, tecnologia para a qual o México propôs uma regulamentação conjunta.
O líder chinês ocupou o centro das atenções nesta reunião, na qual Pequim atuou como defensor do multilateralismo, após a abrupta saída, na quinta-feira, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois de uma reunião entre os dois que amenizou sua guerra comercial.
Neste sábado, Xi se reuniu com seu homólogo sul-coreano, Lee Jae-myung, anfitrião do fórum das 21 economias da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na cidade de Gyeongju, no sul do país.
Seul mantém há tempos um delicado equilíbrio entre seu principal parceiro comercial, a China, e seu garantidor de defesa, os Estados Unidos.
Lee pediu a Xi que o ajudasse a "retomar o diálogo" com a Coreia do Norte, um país com armas nucleares com o qual tecnicamente ainda está em guerra, já que o conflito entre os vizinhos (1950-1953) terminou com um armistício e não com um tratado de paz.
A agenda de Xi Jinping para sua primeira visita à Coreia do Sul em quase uma década também incluiu reuniões para amenizar as tensões com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e com a nova primeira-ministra do Japão, a conservadora Sanae Takaichi.
Ele concordou com ambos os líderes em "restaurar as relações". Carney disse a repórteres neste sábado que as conversas representaram um "ponto de virada" e que também abordaram questões sensíveis, como a interferência estrangeira.
Por fim, Xi anunciou que a próxima cúpula do bloco será realizada em 2026 em Shenzhen, no sul da China.
- Uma IA "ética" -
Os líderes assinaram uma declaração final sobre cooperação regional e dois documentos conjuntos, um sobre inteligência artificial (IA) e outro sobre medidas para lidar com as baixas taxas de natalidade e o envelhecimento da população, incluindo a mobilidade laboral.
O encontro deste ano focou-se particularmente na inovação tecnológica, sob o lema "Construindo um Amanhã Sustentável".
A iniciativa de IA acordada fomentará "a colaboração entre as partes interessadas do setor privado, do governo e da academia, e expandirá o investimento em infraestrutura" para esta tecnologia, afirmou o presidente sul-coreano Lee em uma conferência de imprensa de encerramento.
Horas antes, o secretário da Economia do México, Marcelo Ebrard, propôs uma regulamentação conjunta da IA na sessão final dos líderes.
"Precisamos estabelecer marcos regionais que regulem a ética da inteligência artificial, as normas de cibersegurança e a proteção da privacidade", afirmou o principal representante do México no fórum.
- América Latina, além dos EUA -
México, Chile e Peru, os membros latino-americanos da Apec, conseguiram avançar esta semana em seus esforços para aprofundar suas relações com a Ásia sem, por ora, irritar os Estados Unidos.
O único presidente da região presente, Gabriel Boric, do Chile, reiterou seu apelo ao multilateralismo e finalizou negociações sobre energia verde e inovação com diversos líderes do continente, incluindo Lee, na sexta-feira.
"Do Chile, reiteramos nosso convite para que considerem nosso país como uma porta de entrada para a América Latina", disse o líder de esquerda neste sábado, ao lado de uma foto em grupo na qual os líderes posam usando um lenço tradicional coreano.
Boric também se reuniu neste sábado com Carney, do Canadá. Eles renovaram um acordo bilateral de parceria estratégica em temas como comércio, mudanças climáticas, minerais críticos e assuntos indígenas, em meio a divergências de ambos sobre as políticas tarifárias dos EUA.
Ebrard, por sua vez, conseguiu chegar a um acordo sobre os "próximos passos" em intensas negociações com Washington para evitar as tarifas de Trump, cuja guerra econômica global afetou mercados e cadeias de suprimentos.
Ele também avaliou o sentimento de seus parceiros asiáticos após o México anunciar suas próprias tarifas de até 50% sobre veículos elétricos da China e de outras economias da região com as quais não possui acordos de livre comércio, como a Coreia do Sul.
Lee declarou à imprensa que "a questão tarifária do México está parcialmente relacionada às suas relações comerciais com os Estados Unidos" e pediu "paciência" enquanto continuam "trabalhando" no assunto.
O novo governo peruano, que assumiu o poder após a recente destituição da presidente Dina Boluarte, manteve um perfil discreto.
Ao final da cúpula de Gyeongju, seu Ministério das Relações Exteriores afirmou ter recebido "apoio unânime" para presidir a Apec em 2034, no que seria sua quarta vez.
Ch.Campbell--AT