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Leopoldo López classifica como 'arbitrariedade' intenção de Maduro de retirar sua nacionalidade venezuelana
O opositor venezuelano Leopoldo López classificou nesta segunda-feira (27) como "arbitrariedade" o pedido do presidente Nicolás Maduro de retirar-lhe a nacionalidade, à medida que surgem pedidos semelhantes contra outros dirigentes.
Maduro solicitou ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que tramitasse a revogação, após acusar López de promover sua derrubada através de uma ação militar dos Estados Unidos, que mobilizou navios de guerra no Caribe.
Não há antecedentes de venezuelanos por nascimento despojados da nacionalidade.
É "outro ato de profunda arbitrariedade", disse López em uma coletiva de imprensa em Madri, onde vive desde 2020. "Não tem nenhum fundamento na Constituição".
Maduro baseou seu pedido no dever constitucional de "honrar e defender sua pátria" e outro da nova lei Libertador, que faculta ambiguamente ao Executivo tomar medidas contra aqueles que promovam ações contra a segurança do país.
"Um pedido de Maduro é uma ordem ao TSJ", estimou López em um encontro virtual com correspondentes em Caracas.
Um dirigente próximo ao chavismo pediu à corte máxima que despojasse igualmente da nacionalidade outros 24 opositores, incluindo María Corina Machado e Juan Guaidó, ex-parlamentar que se autoproclamou presidente interino com apoio de Washington.
López assegurou possuir apenas essa nacionalidade. "Há muito tempo que não é venezuelano", disse o ministro do Interior, Diosdado Cabello. "Sua nacionalidade corresponde ao exército da força invasora". "Os traidores à pátria são tratados como traidores".
López expressou seu apoio às operações contra o narcotráfico no Caribe que incluem bombardeios a 10 supostas narcolanchas com saldo de 43 mortos. Maduro afirma que o objetivo é sua cabeça.
"É muito lamentável que haja venezuelanos que sejam parte dessa rede de narcotráfico", apontou López antes de advertir: "Não é uma agressão contra a Venezuela", mas sim "uma política contra o Cartel de los Soles", uma suposta organização de narcotráfico liderada por Maduro, segundo Washington.
Os Estados Unidos têm sete navios de guerra no Caribe, aos quais se somará o porta-aviões Gerald R. Ford.
López foi sentenciado em 2015 a quase 14 anos de prisão acusado de incitar à violência em protestos. Ele foi condenado a prisão domiciliar em 2017 e dois anos depois participou de uma tentativa fracassada de levante militar. Terminou na casa do embaixador espanhol em Caracas, de onde escapou em 2020 rumo a Madri.
B.Torres--AT