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Argentina extraditará aos EUA suposto traficante que diz ter financiado deputado de Milei
A Argentina concordou com a extradição de um empresário requerido pelos Estados Unidos por tráfico de drogas, e que está no centro de um escândalo por seus vínculos com um deputado governista apoiado pelo presidente Javier Milei, informou a Presidência nesta terça-feira (7).
O deputado José Luis Espert, que era o principal candidato de Milei para as eleições legislativas de 26 de outubro, primeiro negou, mas depois admitiu, que recebeu 200 mil dólares (cerca de R$ 1 milhão na cotação atual) de Federico "Fred" Machado, um empresário que está preso e é investigado por tráfico internacional de drogas.
No domingo, Espert desistiu de sua candidatura pela província de Buenos Aires em meio ao escândalo, um revés para Milei, que precisa conseguir mais cadeiras no Congresso, onde o seu partido, A Liberdade Avança, é minoria em ambas as câmaras.
O presidente aceitou a desistência e atribuiu as acusações de que Espert estaria vinculado ao narcotráfico a "uma operação sinistra" da oposição.
Fred Machado, de 57 anos, está em prisão domiciliar no sul da Argentina após ser detido em 2021 por uma ordem da Interpol.
Nesta terça, o presidente instruiu sua equipe a dar "os passos administrativos e diplomáticos necessários" para extraditar Machado aos Estados Unidos, segundo um comunicado da Presidência.
Também nesta terça-feira, o empresário admitiu que entregou dinheiro e apoio logístico a Espert, com aviões privados para sua campanha política de 2019. "Seu erro foi negar", disse Fred Machado à rádio Rivadavia.
"A ideia de apoiar Espert no [âmbito] econômico surgiu porque ele me dizia: 'Preciso de você, não somos muitos, somos poucos'", detalhou o empresário, ao assegurar que o valor acordado superava os 200 mil dólares.
A Justiça americana acusa Fred Machado de conspiração para fabricar e distribuir cocaína, lavagem de dinheiro, fraude eletrônica e violações de exportação, entre outros crimes.
Espert, de 63 anos, reconheceu na semana passada que tinha realizado cerca de 35 viagens em aviões do empresário, mas garantiu que desconhecia seus supostos vínculos com o narcotráfico.
Um promotor argentino abriu nesta terça-feira uma investigação sobre Espert por suposta lavagem de dinheiro, informou o jornal local La Nación, enquanto a oposição tenta levar adiante a expulsão do deputado do Congresso.
M.Robinson--AT