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Ruanda receberá até 250 migrantes expulsos pelos EUA
Ruanda acolherá até 250 pessoas expulsas dos Estados Unidos no âmbito de um acordo alcançado com Washington, anunciou o governo ruandês nesta terça-feira (5), como parte da campanha americana para enviar migrantes presentes em seu território para terceiros países.
Desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro, a administração do presidente Donald Trump negociou vários acordos pelos quais migrantes condenados por crimes - entre eles latino-americanos - foram deportados para países terceiros, entre eles Sudão do Sul e Essuatíni.
"Ruanda estabeleceu um acordo com os Estados Unidos para aceitar até 250 migrantes. Sobretudo porque quase todas as famílias ruandesas têm sofrido as dificuldades do deslocamento e nossos valores sociais se baseiam na reintegração e na reabilitação", explicou a porta-voz do governo, Yolande Makolo, à AFP.
A decisão de Ruanda sucede um acordo com o Reino Unido, que foi cancelado em 2024, segundo o qual Kigali aceitava a chegada de migrantes sem documentos deportados do país europeu.
Em virtude do acordo anunciado nesta terça-feira, "Ruanda tem a possibilidade de aprovar cada pessoa proposta para a reinstalação", acrescentou Makolo, afirmando que os indivíduos em questão se beneficiariam de "formação profissional, assistência médica e ajuda para a habitação".
No entanto, não deu detalhes sobre o calendário, nem as nacionalidades dos indivíduos, nem o que o país africano receberá em troca.
"Fornecerei mais detalhes quando estes forem resolvidos", declarou a porta-voz.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA não confirmou este acordo, mas disse que Washington "colabora com Ruanda em uma série de prioridades comuns", sendo a aplicação das políticas migratórias do governo Trump "uma prioridade absoluta".
As autoridades do Sudão do Sul já receberam, no mês passado, um grupo de oito migrantes deportados dos Estados Unidos. Apenas um deles era originário deste país.
Em julho, cinco migrantes irregulares de países asiáticos e caribenhos também foram deportados para Essuatíni, no sul da África, depois que o governo Trump explicou que suas próprias nações se recusavam a recebê-los.
O presidente americano transformou a luta contra a imigração ilegal em uma prioridade absoluta, prometendo a maior campanha de deportações da história dos Estados Unidos.
- "Inferno" -
Em março, 252 homens foram deportados para El Salvador, a maioria por sua suposta associação com a gangue venezuelana Tren de Aragua, declarada "terrorista" por Washington, e encarcerados em um presídio de segurança máxima conhecido pela dureza de suas condições.
Todos eles foram repatriados para a Venezuela em meados de julho.
Vários deles, entrevistados pela AFP, relataram condições de encarceramento próximas ao "inferno" em El Salvador, com pancadas, privações e humilhações.
Caracas afirmou, na segunda-feira (4), que apenas vinte de seus cidadãos tinham antecedentes criminais, sete deles por crimes graves, e que "nenhum estava relacionado com o Tren de Aragua".
Segundo uma análise realizada pela AFP a partir de dados oficiais, o número de imigrantes enviados para centros de detenção nos EUA como passo prévio à sua expulsão, atingiu um recorde, com mais de 60 mil pessoas detidas em junho, das quais 71% não tinham antecedentes criminais.
Ruanda, um país de cerca de 13 milhões de habitantes, é alvo de críticas por seu histórico no tema dos direitos humanos e, nos últimos meses, tem sofrido cada vez mais pressão por seu envolvimento no conflito da República Democrática do Congo (RDC).
Seu presidente, Paul Kagamé, eleito no ano passado para um quarto do mandato com 99,18% dos votos, é acusado por seus detratores de silenciar toda a oposição.
J.Gomez--AT