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Camboja e Tailândia realizarão conversações de paz após quatro dias de combates na fronteira
Os líderes do Camboja e da Tailândia se reunirão na segunda-feira na Malásia em um encontro que tem como objetivo "restabelecer a paz", segundo o governo tailandês, após quatro dias de confrontos que se intensificam na fronteira devido a uma disputa territorial.
Pelo menos 34 pessoas morreram e mais de 200 mil foram deslocadas em ambos os países do Sudeste Asiático desde que começaram os combates intensos por uma disputa territorial em suas fronteiras, na região do Triângulo de Esmeralda.
O primeiro-ministro interino da Tailândia, Phumtham Wechayachai, e o chefe do governo do Camboja, Hun Manet, se reunirão na segunda-feira na Malásia para realizar conversações de paz, informou o governo de Bangcoc neste domingo (27).
O diálogo entre estas duas monarquias será mediado pelo primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, que ocupa atualmente a presidência da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Os dois países declararam estar dispostos a iniciar conversações para terminar com os confrontos, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou na noite de sábado com cada um dos líderes de governo.
O mandatário americano declarou que ambos os países "aceitaram se reunir imediatamente e chegar rapidamente a um acordo de cessar-fogo", após falar com os líderes desses dois reinos.
- "Todos os meus vizinhos já foram" -
Mas no domingo eclodiram novos confrontos com lançamentos de artilharia perto de dois antigos templos disputados em uma região fronteiriça.
A porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, apontou que os combates começaram por volta das 04h50 da manhã de domingo (18h50 de sábado em Brasília).
"Esta manhã saímos correndo de casa", relatou Maefah, uma tailandesa de 61 anos que vive perto da fronteira, na província de Sisaket, enquanto organizava os pertences que conseguiu guardar em sacos de lixo.
"Todos os meus vizinhos já foram. Não nos sentíamos seguros se ficássemos mais tempo", afirmou a mulher, que preferiu não divulgar seu sobrenome por segurança.
O porta-voz do Exército tailandês, Ritcha Suksuwanon, garantiu que as forças cambojanas começaram a lançar artilharia às 04h00.
- Apelos por uma trégua -
Antes do anúncio da reunião, o primeiro-ministro cambojano declarou neste domingo sua disposição para discutir com a Tailândia o cessar-fogo proposto por Trump.
Hun Manet indicou que encarregou seu ministro das Relações Exteriores, Prak Sokhonn, de conversar com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para coordenar as conversações com os tailandeses.
Por sua vez, o primeiro-ministro interino tailandês já havia manifestado seu desejo de ter um "diálogo bilateral o mais rápido possível" para abordar o cessar-fogo, antes do anúncio do encontro.
Porém, apesar das declarações favoráveis ao diálogo, nenhuma das partes se mostra disposta a recuar e ambas se acusam mutuamente de minar os esforços de paz.
O Ministério das Relações Exteriores tailandês acusou as forças cambojanas de disparar projéteis contra residências na província de Surin.
"Um cessar imediato das hostilidades não será possível enquanto o Camboja não agir de boa fé e violar repetidamente os princípios básicos dos direitos humanos e do direito humanitário", reclamou o ministério.
No Camboja, a porta-voz da Defesa Socheata negou que seu país tenha disparado primeiro e acusou a Tailândia de "atos deliberados e coordenados de agressão".
O Ministério da Defesa do Camboja relatou que os confrontos deixaram 13 mortos - oito civis e cinco soldados - e 71 feridos.
Na Tailândia, o exército informou sobre 21 mortos, incluindo oito soldados.
Os combates provocaram a retirada de mais de 138 mil pessoas de regiões fronteiriças tailandesas e mais de 35 mil do lado cambojano.
Na ONU, o representante do Camboja questionou a versão da Tailândia de que seu país, menor e menos desenvolvido militarmente, teria iniciado os confrontos.
Esses combates representam uma dramática escalada em uma velha disputa entre esses dois vizinhos que compartilham 800 quilômetros de fronteira e atraem milhões de turistas estrangeiros todos os anos.
Dezenas de quilômetros nessa fronteira pontuada por antigos templos continuam em disputa. Entre 2008 e 2011, confrontos deixaram 28 mortos e dezenas de milhares de deslocados.
Uma decisão favorável ao Camboja da Corte Internacional de Justiça da ONU em 2013 encerrou essa crise por mais de uma década, mas a tensão ressurgiu em maio com a morte de um soldado cambojano em um tiroteio na zona de fronteira em disputa.
burs-jts/dhc/cjc-hgs/mmy/pb/hgs/cjc/mas/mr/an/hgs/dd/yr
H.Romero--AT