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Israel anuncia 'pausa tática' em partes de Gaza por razões humanitárias
Israel declarou neste domingo (27) uma "pausa tática" em suas operações militares em partes da Faixa de Gaza por razões humanitárias e anunciou a autorização da passagem de caminhões com ajuda para aliviar a fome no território palestino.
O Exército israelense também indicou no sábado o lançamento aéreo de ajuda humanitária sobre Gaza e rejeitou as acusações de utilizar a fome como arma no território palestino, devastado por mais de 21 meses de guerra.
No fim de maio, Israel suspendeu parcialmente o bloqueio total imposto a Gaza em março, que provocou severas carências de alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais.
A ONU e várias ONGs denunciaram um aumento da desnutrição infantil e o risco de uma fome generalizada entre os mais de dois milhões de habitantes.
Israel divulgou na noite de sábado pelo Telegram imagens do lançamento em paraquedas de "sete lotes de ajuda contendo farinha, açúcar e conservas" sobre o território palestino, realizado "em coordenação com organizações internacionais e dirigido pelo Cogat", um órgão do Ministério israelense da Defesa, responsável pelos assuntos civis nos Territórios Palestinos.
Horas antes, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia anunciado "uma pausa humanitária nos centros civis e corredores humanitários para permitir a distribuição de ajuda", responsabilizando a ONU pelo bloqueio.
Esta "pausa tática" nos combates começará diariamente a partir deste domingo "das 10H00 às 20H00 (4H00 às 14H00 de Brasília)" nas áreas de Al Mawasi, Deir al Balah e Cidade de Gaza, onde as tropas israelenses não operam, especificou o Exército em um comunicado.
Acrescentou, ainda, que serão designadas rotas "das 06H00 às 23H00 (00H00 às 17H00 de Brasília) para permitir a passagem com total segurança das caravanas da ONU e das organizações de ajuda humanitária que entregam e distribuem alimentos e medicamentos à população".
O diretor do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher, comemorou neste domingo o anúncio de que Israel abrirá rotas terrestres seguras para a entrada de comboios humanitários em Gaza.
"Celebramos o anúncio das pausas humanitárias em Gaza para permitir a passagem de nossa ajuda. Estamos em contato com nossas equipes que estão lá, para que façam tudo o possível para alcançar o maior número possível de pessoas famintas", escreveu no X.
Antes de Israel anunciar a entrega de ajuda aérea, os Emirados Árabes Unidos indicaram no sábado que lançarão produtos essenciais pelo ar, assim como o Reino Unido, que também anunciou a retirada de "crianças que necessitam assistência médica", em colaboração com "parceiros como a Jordânia".
Na sexta-feira, Paris, Berlim e Londres instaram Israel a "levantar imediatamente as restrições sobre o envio de ajuda".
- Barco interceptado -
No terreno, a Defesa Civil local informou no sábado a morte de 50 pessoas nos bombardeios e disparos israelenses.
"Pedimos a Deus e aos nossos irmãos árabes que trabalhem mais para alcançar um cessar-fogo antes que todos morramos", disse à AFP Hosam Sobh, um morador de Gaza.
Neste domingo, as forças israelenses levaram o barco "Handala" da coalizão pró-palestina Flotilha da Liberdade com ajuda para Gaza ao porto de Asdod, após ter confiscado a embarcação em águas internacionais e detido a tripulação na noite de sábado, constatou um jornalista da AFP.
O barco com ajuda humanitária, fretado por ativistas pró-palestinos, tentou romper o bloqueio naval imposto ao território palestino, mas foi interceptado.
Segundo a chancelaria israelense, "a embarcação está chegando em segurança às costas de Israel. Todos os passageiros estão a salvo", assinalou.
A situação humanitária deteriorou-se gravemente nos últimos dias em Gaza e mais de 100 ONGs alertaram esta semana que a "fome maciça" está se espalhando.
- "Nova dinâmica" -
O diretor da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, estimou no sábado, em publicação no X, que "o lançamento aéreo não acabará com a fome crescente. É caro, ineficaz e pode até matar civis famintos".
A ONU realizará na segunda e terça-feira uma conferência de alto nível em sua sede em Nova York para debater uma solução diplomática.
Segundo o presidente da França, Emmanuel Macron, este encontro busca "abrir uma nova dinâmica em favor de um acordo justo e duradouro para o conflito israelense-palestino, baseado nos dois Estados, única solução capaz de garantir a paz e a segurança para todos na região".
A guerra foi desencadeada por um ataque sem precedentes realizado pelo movimento islamista Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que causou, do lado israelense, a morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo levantamento da AFP baseado em dados oficiais.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva que deixou pelo menos 59.733 mortos em Gaza, majoritariamente civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
H.Thompson--AT